quarta-feira, 7 de novembro de 2018


                                                      Raposo Tavares

Os historiadores nunca primaram pelo equilíbrio ao retratar Antônio Raposo Tavares (1598-1658), um dos mais mitológicos bandeirantes. Ou era guindado ao céu como o "bandeirante magno, vulto formidável", segundo a descrição de Affonso Taunay, ou era jogado no inferno como assassino, herege e matador de padres.
A historiadora Anita Novinsky, professora de pós-graduação na USP, reuniu documentos encontrados em Portugal segundo os quais Raposo Tavares teria razões religiosas para queimar igrejas: sua madrasta, Maria da Costa, foi presa pela Inquisição em 1618 sob a acusação de "judaísmo" e só saiu do cárcere seis anos depois.
Em 1496, D. Manuel, rei de Portugal, decretou que os judeus deveriam ser expulsos do país. Só poderiam ficar os que aceitassem a conversão ao catolicismo, chamados de cristãos novos.

Raposo Tavares foi criado até os 18 anos na casa da madrasta, uma cristã nova que seguia a tradição religiosa como "uma judia fervorosa", na definição de Novinsky. A mãe de Raposo Tavares também era cristã nova.

"Há razões ideológicas na fúria dos bandeirantes contra a igreja. Ela representava a força que tinha destruído suas vidas e confiscado seus bens em Portugal", diz Novinsky, autora de oito livros sobre a Inquisição. Raposo Tavares matou jesuítas porque eles eram comissários da Inquisição na América, segundo a historiadora.
Os documentos serão debatidos no simpósio "O Legado dos Judeus para a Cidade de São Paulo", em novembro. O simpósio é promovido pelo Laboratório de Estudos sobre a Intolerância, da USP, e pelo clube A Hebraica.
Uma outra história
Segundo a nova perspectiva, Raposo Tavares e bandeirantes que atacavam igrejas podem ser vistos como "subversivos", desafiadores da hegemonia católica, na visão de Novinsky. Entre os bandeirantes, eram cristãos novos Raposo Tavares, Fernão Dias Paes e Brás Leme. Baltazar Fernandes, fundador de Sorocaba, matou com um tiro na cabeça o padre Diogo de Alfaro, que tinha sido enviado pela Inquisição para investigar os paulistas.
"A história do período colonial precisa ser reescrita", defende. Os novos documentos mudam as histórias das bandeiras e do Brasil, de acordo com a historiadora.
Os ataques das bandeiras às reduções, áreas em que os jesuítas agrupavam os índios para catequizá-los, ocorreram na primeira metade do século 17.

O mais célebre dos ataques foi contra as reduções na região de Guairá, hoje território paraguaio, em 1628. Raposo Tavares teria saído de São Paulo com 900 brancos e 3.000 índios.
Foi nesse episódio que Raposo Tavares fez a sua confissão de judaísmo, na visão de Novinsky. Uma carta de Francisco Vasques Trujillo escrita em 1631 menciona que, ao ser questionado com que autoridade moral os paulistas atacavam os índios, ele responde que era com a autoridade "que lhes dava os livros de Moisés".
O saldo da batalha para os bandeirantes foi a escravização de 2.000 índios que estavam sendo catequizados. Com a expulsão dos jesuítas espanhóis, Portugal ganhou o território onde ficam os Estados do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. A escravização dos índios acabou consagrando a teoria de que os bandeirantes eram movidos por razões econômicas.
O historiador John Monteiro, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), autor de "Negros da Terra: Índios e Bandeirantes nas Origens de São Paulo", diz que os documentos reunidos por Novinsky mostram que a razão econômica é insuficiente para explicar os embates entre colonos e jesuítas. Não há dúvida de que ambos lutavam pelos índios para usufruir da mão-de-obra barata. Mas por que os confrontos com os bandeirantes paulistas foram os mais cruentos?
A questão religiosa pode explicar a ferocidade, afirma Monteiro. É uma peculiaridade da colonização de São Paulo que não se repete em outros lugares: "Tenho certeza de que as disputas não eram só econômicas. Passavam por alianças de famílias e pela identidade religiosa".
Fuga para São Paulo
Paulo Prado (1869-1943), o milionário do café e patrono da Semana de Arte Moderna de 1922, foi o primeiro a mencionar a influência dos judeus na São Paulo dos séculos 16 e 17. No livro "Paulística Etc." (1925) ele cita atas da Câmara de 1578 e 1582 que fazem referências a "judeus cristãos".
O isolamento de São Paulo, segundo Prado, levava judeus de Pernambuco e da Bahia a migrar para a cidade: "(...) nenhum outro sítio povoado do território colonial oferecia melhor acolhida para a migração judia. Em São Paulo não os perseguia esse formidável instrumento da Inquisição, que nunca chegou aqui".
Prado não sabia à época que dois cristãos novos que moravam em São Paulo haviam sido executados pela Inquisição: Theotonio da Costa, em 1686, e Miguel de Mendonça Valladolid, em 1731.
No livro que publicou em 1958 sobre Raposo Tavares, o historiador português Jaime Cortesão levantou a hipótese de que o bandeirante era cristão novo e que tivera problemas com a Inquisição.
Onze anos depois, José Gonçalves Salvador, professor aposentado da USP, escreveu o primeiro artigo sobre cristãos novos em São Paulo e sobre a origem judaica de Raposo Tavares.

Havia razões sérias para que cristãos novos escondessem suas raízes judaicas, diz o historiador Paulo Valadares, um dos autores do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes" --sefaradi ou sefaradita é a forma como são designados os judeus da península Ibérica.
"A Inquisição foi uma forma de apartheid. Os que tinham origem judaica tinham de pagar mais tributos e não tinham acesso a certos cargos", afirma Valadares.
Para ingressar em ordens religiosas ou no exército, o candidato precisava provar que não tinha antepassado judeu, árabe, negro ou índio por até sete gerações.
Para ascender, era necessário renegar o passado. A prática era corrente em São Paulo desde sua fundação, em 1554. Segundo Valadares, a mãe de Anchieta era cristã nova e seu trisavô foi queimado pela Inquisição.









                                                                Raposo Tavares
Em 25 de julho de 1633, um grupo de bandeirantes tomou de assalto a igreja e o colégio dos jesuítas em Barueri, perto de São Paulo. Imagens foram quebradas, objetos de prata, roubados, e as portas, pregadas. Eram seis homens, ricos, poderosos... e excomungados. Antônio Raposo Tavares, Pedro Leme, Paulo do Amaral, Manuel Pires, Lucas Fernandes Pinto e Sebastião de Ramos tinham acabado de receber, do padre Antônio de Medina, a notícia de que estavam expulsos do convívio da Santa Mãe Igreja. Os bandeirantes rasgaram o ofício e botaram para correr os missionários de Barueri.
Não era o primeiro enfrentamento direto contra os enviados do Vaticano. Nem seria o último. Em 18 de abril de 1639, uma das maiores autoridades da Igreja nas Américas, o comissário da Inquisição e reitor do Colégio de Assunção, Diogo de Alfaro, foi assassinado com um tiro no rosto quando tentava punir outro grupo de bandeirantes, que incluía André Fernandes, fundador de Santana de Parnaíba, e seu irmão, Baltazar Fernandes, fundador da vila de Sorocaba – foi Baltazar, aliás, quem disparou a arma. Antes desses incidentes, entre 1628 e 1629, uma expedição que partiu de São Paulo varreu todo o esforço missionário na região que atualmente compreende Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Desrespeitando o Tratado de Tordesilhas, os bandeirantes definiram o tamanho do Brasil. Nessas incursões – nas quais a maioria da tropa era composta de índios ou mestiços – faziam outros índios de escravos. Seus alvos não eram apenas aldeias sem contato, mas também missões e suas “ovelhas”, que já eram treinadas no trabalho agrícola.
Raposo Tavares não foi o único a atacar missões. Mas, para ele, a coisa era pessoal. E a razão de sua fúria tinha nome e sobrenome: Maria da Costa, sua madrasta.
No encalço da família
Os judeus eram perseguidos na Península Ibérica desde o final do século 15. Em 1492, a Espanha expulsou os seus. Muitos se deslocaram para Portugal, onde a perseguição começou logo depois, em 1497. A Inquisição lusitana instalou três tribunais dentro do país, em Évora, Lisboa e Coimbra, além de uma filial em Goa, na Índia. Via de regra, os perseguidos pelo Santo Ofício no Brasil eram enviados a Lisboa, já que aqui não havia as instalações próprias. Isso mudaria entre 1580 e 1640, quando uma confusão na sucessão real em Lisboa transformou Portugal em parte da Espanha.
Ao longo desses 60 anos, os brasileiros passaram a ser perseguidos pelo Tribunal da Inquisição espanhola instalado em Lima, em funcionamento desde 1570. E isso aumentou muito a eficácia da Inquisição. Entre 1635 e 1639, enquanto os bandeirantes percorriam todo o continente, os investigadores instalados no Peru chegaram a condenar 80 pessoas.
A família de Maria da Costa foi envolvida nesse turbilhão. Ela nasceu em Évora, em 1584. Era adolescente quando seu pai, o mercador João Lopes de Elvas, foi preso, acusado de praticar judaísmo. Não totalmente sem justificativa: diferentes membros do clã de cristãos-novos haviam sido forçados à conversão ao cristianismo, mas ainda se mantinham secretamente fiéis à sua fé.

“Quando os judeus foram obrigados a se tornarem católicos – ao menos na fachada –, eles se transformaram em cristãos-novos. Esses cristãos-novos que continuaram a seguir suas antigas leis é que foram perseguidos”, diz Marcelo Meira Amaral Bogaciovas, mestre em história social pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Cristãos-Novos em São Paulo (séculos XVI-XIX): Assimilação e Nobilitação. “Obviamente que era uma perseguição religiosa. Mas não era a única preocupação da Inquisição: havia também a de natureza econômica, uma vez que os bens subtraídos dos cristãos-novos processados, por vezes abonados, engrossavam a Fazenda Real de Portugal.” Não por acaso, a família de Maria tinha muitas posses.
Ela foi presa, junto com seu tio, irmão de seu pai, em 1º de junho de 1618. Só seria libertada em 6 de maio de 1624. Antes e depois de ser entregue ao Santo Ofício, tentou fugir para o Brasil, mas não conseguiu. Estava pobre e sem nenhuma possibilidade de recuperar suas conexões dentro da sociedade lusitana. Seu marido, Fernão Vieira Tavares, vivia no Brasil desde 1617, aonde chegou para assumir um alto posto na administração da colônia. Ele morreria em 1622. E ela nunca mais pôde ver os filhos e os enteados – tanto Maria quanto Fernão estavam em seu segundo casamento e tinham filhos da primeira união. Antônio Raposo Tavares, resultado do primeiro matrimônio de Fernão, havia sido educado por Maria, na região do Alentejo. Certamente participou de rituais judaicos secretos em casa.
Raposo Tavares tinha 20 anos quando chegou a São Vicente e acompanhou, a distância, o sofrimento de sua madrasta. Não é de estranhar, portanto, que, ao longo de toda a vida, ele atacasse os jesuítas sempre que tivesse oportunidade. Até porque, no Brasil, eram os religiosos da Companhia de Jesus que organizavam os inquéritos da Inquisição, coletavam dados, conduziam investigações e recebiam os visitadores enviados da Europa – a primeira visita de um oficial da Inquisição ao Brasil se deu em Salvador, em 1591.
Livros de Moisés
Outros bandeirantes conhecidos, como Fernão Dias Paes e Brás Leme, também eram cristãos-novos. Com a perseguição aos judeus na Europa, viver no Brasil parecia uma boa alternativa. Estima-se que, no século 16, um terço dos europeus que chegavam à colônia da América do Sul eram judeus convertidos e “convertidos”.
“Muitos cristãos-novos foram para São Paulo, como foram para todos os cantos do Império Português, em sua maioria para melhorar a situação econômica e financeira, em razão de não haver espaço para seu desenvolvimento em Portugal”, diz o historiador Marcelo Meira. “Claro que também muitos deles procuraram refúgio longe dos inquisidores. Mas essa ideia precisa ser revista: estar em qualquer dos cantos do Império Português não os eximia de serem perseguidos, presos e castigados pela Inquisição.”
Cristãos-novos eram os líderes, mas as expedições paulistas atraíam praticamente todos os homens adultos da região. A viagem liderada por Manuel Preto, tendo Antônio Raposo Tavares como imediato, em 1628, reuniu 900 súditos da Coroa portuguesa, brancos ou, principalmente, mamelucos. Só ficaram para trás os idosos e não mais do que 25 homens adultos em condições de empunhar uma arma. Muitas autoridades participaram da expedição, incluindo Cristóvão Mendes, ouvidor da vila de São Paulo, Brás Leme, Amador Bueno e seus filhos, e o juiz da vila de Santana de Parnaíba, Pedro Álvares. Entre os viajantes, estavam 54 famílias de origem judaica, incluindo bandeirantes com sobrenomes Paiva, Mendes, Fernandes, Furtado, Grou, Pedroso, Quadros e Souza.
Ao longo do percurso, mais de 2 mil indígenas foram presos e 13 missões jesuíticas, reviradas. Num momento em que o Tratado de Tordesilhas não estava em vigência – Portugal fazia parte da Espanha  sair de São Paulo e chegar às proximidades de Buenos Aires, destruindo todo o trabalho missionário dos espanhóis, representava uma provocação direta ao reino da Espanha. O bispo da cidade argentina, aliás, enviou uma carta ao papa, em setembro de 1637, lamentando as ações dos portugueses: “En el Brasil ay una Ciudad (sugeta a um perlado que nos es bispo) que se llama San Pablo, en esta se han juntado um gran numero de hombres de diferentes naciones, ingleses, olandeses y judios, que haciendo liga com los de la tierra como lobos rabiosos hazem gran estrago em el nuevo rebaño de Vuesa Santidad”.
Nos relatos dos religiosos, é difícil distinguir lendas de afirmações verídicas – foi só no século 20 que surgiram os primeiros trabalhos questionando a imagem, criada pelos jesuítas, de que os bandeirantes mais pareciam demônios do que pessoas. As cartas dos jesuítas costumavam afirmar que os paulistas “eram cristãos e agiam como judeus” e todos estavam “infeccionados de judaísmo”.
A acreditar num documento produzido pelo padre da Companhia de Jesus Francisco Crespo, escrito entre 1631 e 1636 para o rei da Espanha, Raposo Tavares teria sido questionado sobre suas ações e respondido que agia “pelo título que Deus lhes dava nos livros de Moisés”. Seria uma confissão clara de prática de judaísmo, declarada por um bandeirante famoso por não aceitar padres em suas viagens nem permitir que os doentes parassem em vilas para pedir a alguma autoridade religiosa o sacramento da extrema-unção.
Esse tipo de denúncia contra o bandeirante se acumulou ao longo da década de 1630, principalmente depois do episódio de Barueri, em 1633, que deixou claro que nem a excomunhão fazia os paulistas mudarem de atitude. Até que, finalmente, em 16 de setembro de 1639, o rei espanhol Felipe IV resolveu agir: a pedido do religioso espanhol Antônio Ruiz de Montoya, o monarca exigiu que Raposo Tavares fosse caçado a qualquer preço e colocado à disposição do Tribunal da Inquisição. A ordem perdeu efeito, porém, logo no ano seguinte, quando Portugal recuperou sua independência. Ele escapou, mas outros cristãos-novos de São Paulo ainda seriam, no futuro, presos e queimados – caso de Theotonio da Costa, em 1686, e Miguel de Mendonça, em 1731.
Cristãos-novos e o Brasil
Se Raposo era odiado pelos padres, a mesma opinião não tinham as autoridades portuguesas. Ou talvez tivessem, mas ele era um bárbaro muito útil para dispensar. Em 1639, foi convocado pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides para participar do esforço de retomada do Nordeste contra os holandeses. A expedição militar durou três anos. Fracassou, mas rendeu a ele a patente de capitão. O bandeirante impressionou as autoridades ao reunir 150 homens e bancar a viagem de todos. Em troca, acabou convocado para realizar a bandeira mais arriscada que se poderia imaginar: uma incursão até os arredores do Peru. Chegou a viajar até Portugal, em meados da década de 1640, para receber instruções para a missão. A viagem começou em 1648 e alcançou, num primeiro estágio, os arredores de Potosí, na Bolívia. O grupo de Raposo chegou a destruir, como de costume, várias aldeias indígenas, dessa vez localizadas em Itatim, Maracaju e Terecañi, entre outras.
Caçado pelo exército sediado em Assunção, Raposo Tavares subiu o Rio Paraguai. Foi quando conseguiu cumprir uma das solicitações mais importantes da corte portuguesa: ao descer o Rio Madeira até a altura do Rio Amazonas, o bandeirante localizou uma rota de acesso capaz de cruzar parte considerável do interior do continente, ligando o sul ao norte de forma relativamente rápida e segura. Ao voltar para casa – uma fazenda em Quitaúna, atual bairro da cidade de Osasco –, depois de mais de 10 mil quilômetros de percurso, ele estava irreconhecível, de tão magro e doente.
A importância de cristãos-novos como Raposo na formação do Brasil ainda não é reconhecida. Mas essa situação está começando a mudar. “Os cristãos-novos estão aparecendo recentemente na literatura didática, de 2012 para cá. Somos um país essencialmente católico e colonizado por católicos, e isso, de certo modo, influenciou muito o ensino nas escolas, e, portanto, os livros didáticos, parte da cultura material escolar”, diz a historiadora Helena Ragusa, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Eles foram fundamentais, de fato. “Os cristãos-novos influenciaram a vida paulistana”, diz o historiador Marcelo Meira. “Eram alfabetizados dos, sabiam negociar e possuíam um caráter especial que resultou na conquista de novas terras.”

Raposo Tavares não contou com esse tipo de reconhecimento em vida. Seu nome mal era mencionado nas notícias que davam conta dos acontecimentos extraordinários registrados ao longo da expedição de 1648. Morreu ao fim da década de 1650, em sua fazenda em Quitaúna. Talvez tenha retornado a Portugal anos antes para prestar contas de sua viagem. Teve três filhos, com duas esposas, Beatriz Bicudo (falecida em 1632) e Lucrécia Leme Borges de Cerqueira.
Pouco se sabe a respeito de sua vida privada. É conhecido, por exemplo, seu hábito de desenhar mapas dos lugares por onde passava, assim como estudar as propriedades das plantas que recolhia ao longo de suas viagens – o que lhe rendia acusações veladas de bruxaria. Não há sinais de que tenha educado os filhos na fé judaica. Seu sobrinho, Antônio Vieira Tavares, filho de seu meio-irmão Diogo da Costa, seria o fundador da cidade de Salto.
Quanto à perseguição, só em 1773 um decreto real português acabou, ao menos em teoria, com as diferenças entre cristão-novo e cristão-velho. Já o Tribunal da Inquisição continuaria existindo até 1821.
Os Judeus Que Construíram o Brasil, Anita Novinsky, Daniela Levy, Eneida Ribeiro e Lina Gorenstein, Planeta, 2015
Raposo Tavares – O Último Bandeirante, Pedro Pinto, Planeta, 2012
Raposo Tavares e a Formação Territorial do Brasil, Jaime Cortesão, Imprensa Oficial, 2013


terça-feira, 30 de outubro de 2018



Apêndice do livro Sete Orelhas:o português Manoel Francisco da Silva   
No transcurso do século XVIII muitas famílias surgiram em meio à colonização das nascentes do rio Grande, na Capitania de Minas Gerais. Com o tempo, descendentes dessas famílias acabaram por colonizar o extenso o vale do rio Grande, pelo interior das capitanias de São Paulo e Minas Gerais. A colonização das nascentes do rio Grande foi levada a efeito por colonos de origem flamenga que chegaram ao Brasil no começo do século XVIII oriundos da ilha do Faial, no Arquipélago dos Açores. Dentre as várias famílias que se formaram em meio a esses colonos, a família Da Silva teve sua história marcada pela grande incidência na região do antigo Turvo, hoje Andrelândia, uma povoação que se formou como porto de passagem no
Caminho Velho.
Esta família surgiu em 1769 a partir do português Manoel Francisco da Silva, nascido em São João de Brito, Termo de Guimarães, arcebispado de Braga, norte de Portugal. Em meio a essa colonização das nascentes do rio Grande, ainda no ano de 1724 casaram-se na vila de São João Del Rei o açoriano da ilha do Faial Diogo Garcia, nascido em 1690, com a também açoriana da ilha do Faial de nome Julia Maria da Caridade. Em seu livro 'As Três Ilhoas', o genealogista José Guimarães encontrou vasta descendência da ilhoa Julia Maria da Caridade; encontrou uma considerável descendência de sua irmã Antônia da Graça e encontrou pouca descendência da terceira irmã, a ilhoa Helena Maria de Jesus. As evidências indicam que antes do casamento de Diogo Garcia e Julia Maria da Caridade, já se encontrava na colonização das nascentes do Rio Grande um irmão de Diogo Garcia chamado João Garcia Luis. Nascido na ilha do Faial em 1679, João Garcia Luis partiu para o Brasil Colônia acompanhado de sua esposa, Maria Leal, e filhos. O colono João Garcia Luis faleceu em 1736, em Guaratinguetá, povoação que se formara no Caminho Velho, no vale do rio Paraíba. O colono João Garcia Luis deixou vasta descendência nas nascentes do rio Grande. Esses descendentes de João Garcia Luis e Maria Leal formaram várias famílias, entre as quais a família Garcia Leal. Dois primos de Diogo Garcia e João Garcia Luis, também nascidos na ilha do Faial, constam em registros nas nascentes do rio Grande, em Minas Gerais, no século XVIII. O primeiro colono foi Antonio Garcia, nascido na ilha do Faial em 1692, que se casou, em segundas núpcias, em Prados, no Caminho Novo do Paraíba, em 1744. Antônio Garcia faleceu em 1768, na povoação de Santana do Garambéu, um porto de passagem do rio Grande no Caminho Velho do Rio a Minas, tendo deixado descendentes que formaram várias famílias, dentre as quais a família De Souza. O irmão de Antonio Garcia de nome João Garcia Duarte, nascido na ilha do Faial em 1700, também fixou residência nas nascentes do rio Grande, tendo deixado registros nas cercanias da povoação da Encruzi lhada, hoje cidade de Cruzília, no Caminho Novo do Paraíba
Um filho deste colono de nome José Garcia Duarte se casou em 1760 com Anna Maria Duarte, a Anna do Angahi, filha de Catarina de São José, e neta da ilhoa Antonia da Graça. A filha deste casal de nome Teresa Maria de Jesus foi esposa de Thomas Joaquim de Arantes, um dos filhos do português Antonio de Arantes Marques, o patriarca da família Arantes. Já o filho homônimo do colono João Garcia Duarte teve uma filha, de nome Antonia Maria de Jesus, que se casou em 1790 com José Francisco Junqueira, um dos filhos de João Francisco
Junqueira. Casado em 1758 com Helena Maria do Espírito Santo, uma neta da ilhoa Antônia da Graça, o português João Francisco Junqueira é considerado o patriarca da família Junqueira. Além destes quatro primos Garcia nascidos na ilha do Faial no final do século XVII, outro colono Garcia também nascido nessa época nessa mesma ilha deixou registros familiares na região das nascentes do rio Grande. Embora não se tenha informações de seu grau de parentesco com os demais colonos Garcia, sabe-se que o colono José Garcia da Costa nasceu na ilha do Faial no ano de 1706. No ano de 1739, o colono José Garcia da Costa estava na povoação de Prados, nas nascentes do rio Grande, onde se casou com Bernarda Maria de Almeida. Este casal teve onze filhos, sendo o último batizado em 1761 na povoação do Turvo, no Caminho Velho
Os registros sugerem que por essa época José Garcia da Costa já estava fixado com a família na região da povoação do Turvo. De fato, em 1759, dois anos antes do nascimento de seu último filho na povoação do Turvo, casou-se nessa povoação a filha de José Garcia da Costa de nome Antonia Maria de Almeida, nascida em Prados, com João Antonio de Andrade, nascido na ilha do Faial. João Antônio de Andrade era filho de Isabel da Luz, irmã dos colonos Antonio Garcia e João Garcia Duarte. No ano de 1764, a filha de José Garcia da Costa de nome Maria Conceição de Almeida casou-se na povoação do Turvo com o português Brás Rodrigues de Lima, natural da povoação de São Tiago de Sopo, Arcebispado de Braga, norte de Portugal. Porém, foi somente no ano de 1769 que surgiu entre os colonos de origem flamenga que habitavam as nascentes do rio Grande a história do colono Manoel Francisco da Silva. Então, nesta mesma povoação do Turvo, no Caminho Velho, o colono açoriano José Garcia da Costa casou sua filha Anna Maria de Almeida com o português Manoel Francisco da Silva. Viúvo de seu primeiro casamento, Manoel Francisco da Silva levou para o segundo casamento os nove filhos que já possuía. De seu casamento com Anna Maria de Almeida, Manoel Francisco da Silva teve ainda mais oito filhos, o último de nome Ignacio Francisco da Silva, nascido no ano de 1788. O português Manoel Francisco da Silva é o patriarca da grande família Da Silva formada entre os colonos de origem flamenga das nascentes do rio Grande. Após este casamento, o colono José Garcia da Costa casou ainda dois de seus filhos, um homem e uma mulher, com dois filhos do primeiro casamento de Manoel Francisco da Silva. Foi assim que seis anos após seu casamento, no ano de 1775, novamente na povoação do Turvo, no
Caminho Velho, Anna Maria da Silva, a terceira filha do primeiro casamento de Manoel Francisco da Silva se casou com o filho do colono José Garcia da Costa de nome Thomas Garcia da Costa. Ainda neste mesmo ano de 1775, na Ermida do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, situada na povoação do Bom Jardim, localizada no Caminho Velho do Rio a Minas, distante cerca de 26 quilômetros da povoação do Turvo, a filha de José Garcia da Costa de nome Quitéria Joaquina de Almeida se casou com Antonio Francisco da Silva, o segundo filho do primeiro casamento de Manoel Francisco da Silva. A descendência desse casal passou a se servir do nome da Silva
Landim, diferenciando-se assim da descendência de seu pai, o patriarca Manoel Francisco da Silva. No ano 1788, Manoel Joaquim da Silva, o quarto filho do primeiro casamento de Manoel Francisco da Silva, casou-se na povoação do Turvo com uma neta do colono José Garcia da Costa, filha de Maria da Conceição de Almeida, de nome Ignácia Rubina do Espírito Santo. Em 1795, outro neto do colono José Garcia da Costa, filho de Maria da Conceição de Almeida, de nome José Rodrigues de Almeida, casou-se na povoação do Turvo com Anna Ribeira Salgado, filha do português Bento Ribeiro Salgado. Em de 1801, outra neta de José Garcia da Costa, de nome Francisca Joaquina de Almeida, a segunda filha do segundo casamento de Manoel Francisco da Silva, casou-se na povoação do Turvo, em segundas núpcias, com Francisco Ribeiro Salgado, filho de Bento Ribeiro Salgado, o patriarca da família Salgado. Os diversos casamentos de filhos do colono Manoel Francisco da Silva com filhos do colono José Garcia da Costa fizeram com que surgisse uma vasta descendência com nome Da Silva na micro região que compreende a Andrelândia, o antigo Turvo, Bom Jardim de Minas, antigo Bom Jardim do Turvo, e Liberdade, o antigo Livramento. Assim, num perímetro de 70 quilômetros que vai da cidade de Andrelândia, a Bom Jardim, separadas por 26 quilômetros, e de Bom Jardim a Liberdade, separadas por 15 quilômetros e por fim de Liberdade a Andrelândia, separadas por 30 quilômetros, formou-se uma grande descendência do português Manoel Francisco da Silva, o patriarca da família Da Silva. Passados 250 anos, a descendência Da Silva entre os colonos de origem flamenga é a maior descendência existente nas nascentes do rio Grande. A marcante presença do nome de família Da Silva nas nascentes do rio Grande e sua consequente presença na colonização do interior das capitanias de Minas Gerais e de São Paulo entre os séculos XVIII e XIX, vem esclarecer porque do nome de família Da Silva ganhou papel de destaque nas perseguições perpetradas através do personagem "Sete Orelhas". Com efeito, o personagem "Sete Orelhas" começou a ter sua estória divulgada a partir de 1836, quando foi inserida no livro 'The History of Brazil', de John Armitage. A versão contada neste livro diz que foi devido à morte de um parente, esfolado vivo por sete moradores de Itú, que um morador de Sorocaba teria promovido a morte dos sete assassinos, fazendo um colar com sete orelhas dos mortos. Por conta dessas sete mortes o assassino de Sorocaba teria sido cognominado 'Sete Orelhas'. Em 1843, na sequencia das publicações, o nome de família Garcia, o nome de família que constituía o elo que unia aquele variado grupo de famílias descendente de colonos de origem flamenga, passou a ser objeto do caso das sete orelhas. Foi naquele de 1843 que surgiu o romance 'Januário Garcia ou As Sete Orelhas', de Joaquim Norberto de Sousa Silva, a obra que deu ao cruel assassino "Sete Orelhas" o nome de Januário Garcia. Foi esta obra que trouxe para as perseguições o elo que unia as famílias de origem flamenga das nascentes do rio Grande, o nome de família Garcia. Mas, foi somente dois anos depois, em 1845, que os agentes trouxeram para as perseguições o nome de família Da Silva, o nome que formou a maior família de descendente dos colonos de origem flamenga nas nascentes do rio Grande. Naquele ano, o estudante da faculdade de Direito de São Paulo de nome Martim Francisco Ribeiro de Andrada, um sobrinho/neto do político José Bonifácio de Andrada e Silva, tornou pública a peça de teatro "Januário Garcia, o 'Sete Orelhas'". Nesta obra, os sete assassinos mortos por "Januário Garcia, o 'Sete Orelhas'" teriam sido os sete irmãos Silva, os quais teriam matado o parente de "Sete Orelhas" com requintes de crueldade. Segundo essa versão, os sete irmãos Silva teriam atado nu a uma figueira o parente do personagem 'Sete Orelhas', onde o teriam esfolado vivo. Foi devido a esta peça de teatro que o caso das sete orelhas, com os nomes de família Garcia e Da Silva, teria ganho notoriedade. A primeira encenação desta peça de teatro foi em 1846. A encenação ocorreu no teatro da Casa da Ópera, em São Paulo, quando da primeira visita do Imperador D Pedro II à cidade. O estrondoso sucesso alcançado pela encenação da peça fez com que no ano de 1849 inúmeras copias da peça fossem impressas. Assim, a versão para o caso das sete orelhas, com a divulgação dos nomes Garcia e Da Silva, passou a ser encenada em muitos lugares pelo interior de São Paulo e Minas Gerais. Foi desta forma que o caso das sete orelhas superou o obstáculo que representava a questão do analfabetismo que então existia no país, o que vinha restringindo a divulgação da estória das sete orelhas. Como se observa, a escolha do nome de família Da Silva atribuído aos sete assassinos do parente de "Sete Orelhas" teria origem na importância desta família entre as famílias descendentes dos colonos de origem flamenga das nascentes do rio Grande. Foi ao trabalharem para atingir esta família, atribuindo a sete de seus supostos membros um assassinato cruel, que os agentes das perseguições acabaram deixando pistas de que esta teria sido a mais importante das famílias formadas nas nascentes do rio Grande, e isto seja pelo grande número de descendentes ou pela grande extensão de terras da região em que se fixaram, o entorno da serra do Turvo, nas nascentes do rio Grande, que compreende o perímetro entre as cidades de Andrelândia, Bom Jardim de Minas e Liberdade. Assim, no transcurso desses mais de 170 anos de perseguições o nome de família Da Silva, esta gigantesca família sofreu os efeitos das perseguições de maneira variada. Um efeitos mais significativos das  persegui ções ao nome de família Da Silva é o que ocorreu com Francisco José da Silva, que se casou na segunda metade do século XIX com Thereza Cândida de Almeida. A esposa de Francisco José da Silva era filha de João Antônio Gonçalves de Almeida e de Anna Vitória de São José. Por sua vez, Anna Vitória era filha de Thereza Maria de Jesus, e neta de Ana Maria do Nascimento, filha do casal Diogo Garcia e Júlia Maria da Caridade. O esposo de Anna Vitória de São José, a sogra de Francisco José da Silva, foi Pedro Custódio Guimarães, o patriarca da família Guimarães. No ano de 1865, quando do nascimento de Alfredo Augusto, filho do casal Francisco José da Silva e Thereza Cândida de Almeida, o mesmo não foi batizado com o nome de família Da Silva. Naquele ano em que se completavam vinte a anos da publicação da peça de teatro 'Januário Garcia, o Sete Orelhas', Francisco José da Silva abandonou o nome de família Da Silva e adotou o nome de família do avô de sua esposa. Foi então que o filho do casal Thereza Cândida de Almeida e Francisco José da Silva foi batizado com o nome de Alfredo Augusto Guimarães.

Essa foi a reação mais evidente às perseguições ao nome de família Da Silva e ocorreu ainda no início das perseguições, em 1865. Além dessa reação muitas outras ocorreram durante esses 173 anos transcorridos desde 1845, o ano em que o nome de família Da Silva foi incluído nas perseguições. Dentre essas reações, a mais comum foi mesmo o abandono do nome de família. Mas, embora tenham transcorridos tantos anos de perseguições e abandono, ainda hoje o nome de família Da Silva permanece como o nome mais comum nessa micro região das nascentes do rio Grande, a região que compreende o entorno da serra do Turvo


D'Alessandro, Luciano BRG,
O Sete Orelhas ou a história das perseguições aos descendentes dos colonos de origem flamenga no Brasil,
Editora Mormannese Eireli, Andrelândia, MG, 2012; - Sítio de internet Projeto compartilhar (http://www.projetocompartilhar.org/) - Coordenação Bartyra Sette e Regina de Moraes Junqueira


sábado, 27 de outubro de 2018

AS PERSEGUIÇÕES POLÍTICAS E O PRECONCEITO SOCIAL
A resultante das perseguições políticas levadas a efeito através do personagem ‘Sete Orelhas’, ou Januário Garcia (Leal), foi a difusão de preconceito entre as famílias antes unidas pelo nome Garcia. Foi assim que surgiu o preconceito social entre as famílias originárias da ilha do Faial, descendentes de patriarcas que assinavam o nome Garcia, homens que foram colonos do Brasil no século XVIII.
Com a continuação das perseguições, uma vez extinto o elo que antes unia aquele grupo de famílias formadas a partir de colonos que assinavam o nome Garcia, aquelas famílias passaram a não mais se reconhecer como pertencente a um mesmo grupo, a um mesmo povo, a uma mesma raça. Em conseqüência disso, surgiram variadas antipatias entre as famílias, ora por poder, ora por humor, do que resultou num preconceito generalizado entre as famílias antes unidas pelo nome de família Garcia.
O êxito que vinham obtendo as perseguições políticas surgidas no século XIX foi identificado ainda naquele século pelo escritor Joaquim José de França Júnior. Em 1867, em um folhetim em que criticou o autor da peça de teatro “Januário Garcia, o ‘Sete Orelhas’”, o depois político Martim Francisco Ribeiro de Andrada, França Júnior assim escreveu sobre o que teria pensado o autor da peça ao compor a sua obra: “...resolvi esboçar, não o quadro da miséria de uma família, mas o croquis da desgraça de um povo.”.
A existência deste preconceito generalizado como ainda hoje pode ser observado nas nascentes do rio Grande e em várias outras regiões do centro-sul do Brasil, demonstra a eficiência dos perseguidores no seu intento de acabar com uma raça, com a coesão de um povo.
Esse foi o objetivo das perseguições, em lugar da coesão social existente entre aquele grupo de brasileiros unidos pelo nome patronímico Garcia, deixar em seu lugar o preconceito entre as famílias. E tão exitosos foram os perseguidores que hoje o preconceito social é considerado natural nas cidades espalhadas ao redor do vale do rio Grande.
Esse variado grupo de famílias descendia de cinco colonos que assinavam o nome Garcia e eram originários da ilha do Faial, uma das nove ilhas que compõem o arquipélago dos Açores. Foi por autorização de D. Isabel, condessa de Flandres e irmã de D. Manoel, o Rei de Portugal, que a partir do ano de 1450 a ilha do Faial foi colonizada por flamengos, povo germânico oriundo de Flandres, hoje uma região do norte da Bélgica.
Como se vê, unidos no Brasil Colônia pelo nome de família Garcia, esse povo tinha origem remota em Flandres. O tortuoso caminho que tiveram esses colonos, primeiro partindo de Flandres para a ilha do Faial, até que depois de mais de duzentos anos seus descendentes se fixaram no centro-sul do Brasil Colônia, levou ao enfraquecimento das raízes flamengas. Foi essa a causa do apego ao nome de família Garcia que ocorreu no Brasil Colônia, ou seja, unir aqueles colonos descendentes de flamengos oriundos da ilha do Faial pelo nome de família Garcia, e assim preservar a raiz flamenga, mesmo tendo transcorrido mais de dois séculos desde a colonização da ilha do Faial por flamengos e mesmo tendo transcorrido cem anos desde a colonização do Brasil Colônia por descendentes de flamengos que eram originários da ilha do Faial, no arquipélago dos Açores.
Essa foi a verdadeira causa das perseguições levadas a efeito através do personagem 'Sete Orelhas', ou seja, a extinção da raiz flamenga existente na formação do povo brasileiro. A busca da extinção da raiz flamenga, que permanecia intacta na parte mais rica do Brasil, o centro-sul, encontrava-se dentro de um processo ideológico que não consentia a existência de um grande país no hemisfério sul do planeta - o Brasil - com forte raiz flamenga.
E nesse processo, seduzidos pela bajulação de quem os inspirava, os políticos do Brasil Império, que coordenaram as perseguições no século XIX, acabaram por inserir no seio das famílias antes unidas pelo nome Garcia o horror, a repulsa por vizinhos que tinham a mesma origem, que pertenciam à mesma raça, todos descendentes dos flamengos que haviam colonizado a ilha do Faial, no arquipélago dos Açores, a partir do ano de 1450.

O SETE ORELHAS, OS CARANGUEJOS E OS VEADOS


Nascido na povoação do Jacuí, Minas Gerais, em 1761, filho de Pedro Garcia Leal e neto João Garcia Luis, colonos nascidos nas ilhas dos Açores e falecidos no Brasil, o colono Januário Garcia Leal teve sua memória maculada pelo estudante da Faculdade de Direito de São Paulo de nome Martim Francisco Ribeiro de Andrada.
No ano de 1845, o estudante Martim Francisco Ribeiro de Andrada inseriu o nome de Januário Garcia Leal por duas vezes na peça de teatro de sua autoria intitulada “Januário Garcia, o ‘Sete Orelhas’”. No enredo da peça, por conta do assassinato de seu filho Antônio, Januário Garcia Leal, o personagem "Sete Orelhas", promoveu a morte dos sete assassinos de seu filho, fazendo um colar com sete orelhas retirada dos mortos. Os sete mortos nesta vingança de 'Sete Orelhas' seriam os irmãos 'da Silva'.
A peça fez grande sucesso em sua estreia em 1846, sendo encenada pela primeira vez no teatro da Casa da Ópera, em São Paulo, quando da primeira visita à cidade de S M Imperial D Pedro II. No ano de 1849, em consequência do sucesso alcançado, foram impressas inúmeras cópias desta peça de teatro. 
A peça trouxe fama para o personagem ‘Sete Orelhas’ e para os nomes de familia 'Garcia' e 'da Silva'. A partir de então esses nomes de família passaram a ser assombrados pelo comentário de que entre os membros dessas famílias pudessem ter assassinos, sendo que na família Garcia haveria um assassino cruel e vingativo, responsável pela morte de sete pessoas da família 'da Silva'.
O personagem ‘Sete Orelhas’ se insere nas perseguições perpetradas a partir de meados do século XIX. Naquela época, em busca de uma supremacia política, um pequeno grupo de pessoas unidas de maneira discreta, buscou separar as famílias descendentes de colonos de origem flamenga no Brasil. Tratava-se de um grande grupo de famílias que se identificava pelo elo comum, o nome de família Garcia. Esse grupo de famílias se encontravam espalhadas por todo o curso do rio Grande, entre Minas Gerais e São Paulo e se constituía no maior grupo social existente no interior do Brasil. Dentre essas famílias pertencentes à árvore genealógica identificadas a partir do elo comum Garcia estavam as famílias 'Garcia Leal' e 'da Silva', as famílias que tiveram suas reputações difamadas por Martim Francisco Ribeiro de Andrada em 1845,
O então estudante da Faculdade de Direito de São Paulo Martim Francisco Ribeiro de Andrada era filho homônimo do político Martim Francisco Ribeiro de Andrada e sobrinho e neto do político José Bonifácio de Andrada e Silva, ambos então já falecidos. 
Ademais, Martim Francisco Ribeiro de Andrada era irmão de José Bonifácio, o Moço, que foi político e professor na Faculdade de Direito de São Paulo. Neste local, ainda hoje se observa no saguão de entrada da escola uma estátua de José Bonifácio, o Moço, o irmão do autor da peça de teatro “Januário Garcia, o ‘Sete Orelhas’”.
Além de José Bonifácio, o Moço, o escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada foi irmão do também político Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. Este último, ainda em meados do século XIX, havia deixado sua cidade natal, Santos, passando a residir em Barbacena, Minas Gerais, local onde se casou em 1864 e constituiu família.
Um dos filhos deste irmão de Martim Francisco Ribeiro de Andrada, nascido em Minas Gerais, também se chamou Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (1870-1946). Ainda no último quartel do século XIX este primeiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada mineiro se casou em São João Del Rei com Julieta de Araújo Guimarães, uma das filhas de Maria das Dores de Carvalho e Domingos Custódio Guimarães Filho. 
Por sua vez, o sogro de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada de nome Domingos Custódio Guimarães Filho era neto de Pedro Custódio Guimarães, de seu casamento com Thereza Maria de Jesus, uma das netas do casal Julia Maria da Caridade e Diogo Garcia, que se casaram em São João Del Rei em 1724. 
Casados em 1782, o casal Pedro Custódio Guimarães e Thereza Maria de Jesus é considerado patriarca da família Guimarães, uma das famílias descendentes dos colonos de origem flamenga no Brasil, uma das famílias objeto das perseguições perpetradas a partir do século XIX, que teve seu ápice na obra do dramaturgo Martim Francisco Ribeiro de Andrada, a peça de teatro “Januário Garcia, o ‘Sete Orelhas’”. 
E foi assim que as perseguições chegaram na cidade do Turvo, hoje Andrelândia. Então, esta localidade era um centro administrativo nas nascentes do rio Grande, que congregava as povoações hoje conhecidas como Piedade do Rio Grande, Madre Deus de Minas, Minduri, São Vicente de Minas, Arantina, Bom Jardim de Minas e Carrancas.
Portanto, uma vez implantada a separação política na cidade do Turvo esta separação teria o condão de se espalhar pelas povoações circundantes, separando os descendentes dos colonos de origem flamenga no seu ninho, as nascentes do rio Grande.
Pouco depois do casamento de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e Julieta de Araújo Guimarães, o processo de separação das famílias descendentes dos colonos de origem flamenga, que marcou a estratégia para criação do personagem Sete Orelhas em 1836, começou nas nascentes do rio Grande. 
Ainda no final do século XIX, de inopino tomou força a separação política que iria marcar a política nas nascentes do rio Grande no século XX, a divisão política na cidade do Turvo, com o surgimento dos agrupamentos políticos dos veados e dos caranguejos. 
Então, de um lado, estavam os partidários de Antônio Belfort Ribeiro de Arantes, agrupados em um partido político denominado partido dos Caranguejos. De outro lado, estavam os partidários de José Bonifácio de Azevedo, agrupados em um partido político denominado partido dos Veados.
Descendente da família Arantes de Aiuruóca, Antônio Belfort Ribeiro de Arantes nasceu naquela povoação e se casou em 1849 na povoação do Turvo com Libânia Jesuína Carolina de Carvalho, uma bisneta de Catarina de São José. Esta última por sua vez era filha da pioneira Antônia da Graça e sobrinha do casal de pioneiros Júlia Maria da Caridade e Diogo Garcia.
Ademais, Antônio Belfort Ribeiro de Arantes era ligado a S M Imperial D Pedro II, que lhe outorgou o título de Barão e depois de Visconde de Arantes. Como se sabe, S M Imperial D Pedro II era ligado às perseguições, estando presente na cidade de São Paulo quando do lançamento retumbante da peça de teatro “Januário Garcia, o ‘Sete Orelhas’”, escrita por Martim Francisco Ribeiro de Andrada, tio do político mineiro Antonio Carlos Ribeiro de Andrada.
Descendente dos pioneiros João Garcia Luis e Rosa Maria de Jesus, José Bonifácio de Azevedo nasceu na povoação do Turvo, onde se casou em 1861 com Carlina Umbelina Salgado, unindo assim duas famílias descendentes dos colonos de origem flamenga, as famílias Azevedo e Salgado. 
Sempre agindo de maneira dissimulada, em um primeiro momento, em virtude de relações familiares, os partidários do político mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada se uniram ao grupo de José Bonifácio de Azevedo. Porém, no transcorrer do século XX, os políticos vinculados aos Andradas se uniram ora ao partido dos Veados ora ao partido dos Caranguejos. 
Esta variação entre os dois lados do espectro político da então influente povoação do Turvo tinha sentido nas perseguições políticas surgidas com o personagem ‘Sete Orelhas’, pois o objetivo destas perseguições era a separação das famílias descendentes dos colonos de origem flamenga no Brasil. 
Assim, o caminho das perseguições que buscavam a separação das famílias formadas a partir de pioneiros originários da ilha do Faial migrava do personagem ‘Sete Orelhas’ para a política ‘Caranguejo e Veado’ na povoação do Turvo e nas demais povoações das nascentes do rio Grande.
Na genealogia abaixo, vê-se como ocorreu a entrada das perseguições nas famílias pelo casamento no final do século XIX de uma bisneta do patriarca Pedro Custódio Guimarães com um sobrinho e neto do político José Bonifácio de Andrada e Silva, de nome Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, prefeito indicado de Belo Horizonte (1905-1906), ministro da fazenda (1917-1918) e presidente (governador) do Estado de Minas Gerais entre 1926 e 1930

quinta-feira, 25 de outubro de 2018


                            Joao Ramalho

Algumas certezas sobre a nossa história são passadas ainda no ambiente escolar. A principal delas é a de que Pedro Álvares Cabral, acompanhado de 1.400 homens, aportou na Ilha de Vera Cruz, em 22 de abril de 1500, próximo à região de Porto Seguro, na Bahia, e deu-se, então, o ‘descobrimento do Brasil’. Grande parte do que nos foi contado é baseada na famosa carta que Pero Vaz de Caminha mandou para Dom Manuel I, o rei de Portugal à época, relatando os detalhes da viagem, o primeiro contato entre os portugueses com os nativos e as impressões da terra que viria a ser colonizada.
Mas há uma outra carta que pode mudar o rumo de toda essa história: a de Privilégios, que data 3 de abril de 1487, concedida por Dom João II a João Ramalho, fundador português que auxiliou seus conterrâneos na ocupação do planalto paulista e na fundação da Vila de Santo André da Borda do Campo. Nela, o português é nomeado cavaleiro do rei.
O documento, cujo original está no Arquivo Nacional Torre do Tombo, em Portugal, mostra que, ao contrário do que muitos historiadores afirmam, que ele teria nascido em 1493, certamente chegou a este mundo muito antes disso. E mais: outros registros no Museu de História de Vouzela, cidade onde Ramalho nasceu, dão conta de que ele teria vindo antes de Cabral para terras brasileiras.

Foi isso o que descobriram Andreia de Jesus Cintas Vazquez e Damiana Rosa de Oliveira ao pesquisarem sobre a história do tradutor e do intérprete no Brasil. Representantes do ofício, elas se interessaram em se aprofundar no assunto para escreverem o livro A Fantástica História (Ainda não Contada) da Tradução no Brasil (Transitiva). “Queríamos mostrar que o tradutor, apesar de nunca lembrado, sempre fez história”, diz Damiana.
E a surpresa das autoras se deu ao montar a linha do tempo com a trajetória da tradução no País. Elas iniciaram a pesquisa com a pergunta: ‘Quando os portugueses chegaram ao Brasil, como eles conversavam com os índios?’. “Começamos a procurar nos livros de história para achar um sinal e percebemos que Portugal planejou muito bem essa colonização no Brasil, que não foi uma coisa por acaso, que eles estavam estudando há tempos como iam fazer isso. Perceberam, inclusive, que se tinha um trato com a língua local nas colônias da África, as relações econômicas eram melhores. E tinha de ter alguém aqui também.”
Encontraram, então, relatos e cartas que descreviam João Ramalho, como um ‘língua’ no País, ou melhor, intérprete, e que, junto a Bartira, a filha do cacique Tibiriçá com quem se casou, ajudou portugueses e índios a se comunicarem à época. Só não acharam ao certo, no entanto, a data em que ele havia chegado aqui. “Havia dúvidas do próprio descobrimento do Brasil. Foi Cabral? Alguns diziam, ‘não, não foi’. Então a gente começou a puxar o fio”, lembra Andreia. E, como tudo isso envolvia a história da região, que anda paralelamente à do português, e à trajetória da tradução, as duas começaram a aprofundar as pesquisas acerca do bandeirante.

Como o livro tinha prazo para ser entregue, fecharam com as informações que tinham e Andreia foi para Vouzela, em Portugal. Uma vez em solo português, a pesquisadora reuniu documentação, com o auxílio da historiadora local, que até então era inédita, inclusive nos centros de memória de Santo André e São Bernardo. “Entre os documentos descobri um livrinho distribuído nas escolas secundárias de Vouzela que conta a história de João Ramalho. E nele há um trecho de uma carta de Privilégio concedida ao português que o nomeia como cavaleiro do rei. Isso é uma prova de que ele não era um degredado, como muito se falou por aí”, ressalta Andreia. Elas receberam cópia da carta original semana passada.
E, afinal, que resposta chegaram à questão que dá título a esta reportagem? “Existiam duas vertentes, as que amavam e as que odiavam o João Ramalho. Mas a minha ideia é: como qualquer ser humano, ele não é vilão nem mocinho. Era um homem que se adaptou a algumas condições e, para os portugueses, era um bandeirante brilhante, porque fundou as cidades e foi primordial para a colonização. Ele era muito respeitado nas tribos e um intérprete importante”, finaliza Damiana.
É de conhecimento público, principalmente no distrito de Viseu, onde fica Vouzela, em Portugal, que João Ramalho é filho de João Velho Maldonado e de Catarina Afonso Valbode. Sabe-se também que se casou com Catarina Fernandes das Vacas, a quem deixou grávida assim que partiu rumo ao Brasil, com data ainda a ser confirmada.

E existem, segundo a responsável pelo Museu Municipal de Vouzela, Maria Teresa Ferreira e Costa Tavares, três versões para sua partida rumo à Ilha de Vera Cruz: uma delas é que teria feito parte da armada de Pedro Álvares Cabral, a outra é que teria cometido algum crime em Vouzela e, portanto, teve de ir embora como degredado e, por fim, se aponta a possibilidade de ter se oferecido voluntariamente para fazer a expedição de conquista de novas terras em missão especial ordenada pelo rei. “Não existe nada que documente nenhuma das hipóteses. O fato de ter vivido e acabado por morrer aí (Brasil) deve ter o afastado um bocado de sua terra natal (Portugal). Alguns documentos que encontramos na Torre do Tombo, trocados entre o Padre Manuel da Nóbrega (1517-1570) e outros jesuítas, mostram que ele tentava saber se a mulher (Catarina das Vacas) estava viva. Presumo que era para regularizar a situação dele no Brasil com a índia”, analisa Maria Teresa em entrevista ao Diário.
A especialista na história local, no entanto, ressalta que a carta de Privilégio, que data 1487 e o nomeia cavaleiro do rei, reforça a ideia de que ele teria vindo em missão especial para o Brasil. “Tudo é possível e ele tinha um espírito aventureiro. Desbravar era algo que ia agradá-lo.” Ela explica que antes do Tratado de Tordesilhas, assinado por Portugal e Espanha em 1494 e que dividia as ‘terras descobertas e por descobrir’, foram feitas algumas expedições a fim de reconhecimento de territórios. “Esse título (a carta) não era concedido a qualquer um. O rei dava o título a quem lhe prestava serviços, a pessoas da sua confiança. Acho que essa tese (de que teria vindo antes de Cabral para cá), embora não reúna documentação suficiente para comprová-la, pode ser viável, pode ter alguma consistência sim”, destaca a historiadora.
Um dos documentos que foram trazidos pela tradutora Andreia Vazquez em sua pesquisa em Vouzela data de 1956 (veja reprodução abaixo), e reúne estudo feito pelo português António Lopes da Costa, já falecido, e depois adquiridos pela Câmara local. Nele, o pesquisador cita o historiador Alexandre Herculano (1810-1887), que avaliza a versão de que João Ramalho teria feito a viagem para o Brasil em segredo. “Foi demonstrado pelos historiadores brasileiros que, quando ali chegou Pedro Álvares Cabral e outros, já lá se encontrava o Fidalgo da Casa Real, o nosso ilustre vouzelense João Ramalho e mais alguns portugueses.” E mais: “Chegado a Santo André da Borda do Campo, por alturas de 1492/1493, nasceu-lhe em 1503 o primeiro rebento, que batizou com o nome de André.” Só com Bartira, ao que se tem registro, o bandeirante teve 12 filhos.
As cópias dos documentos que foram achados por Andreia Vazquez e Damiana Rosa de Oliveira já estão no Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa e na Memória de São Bernardo. “A ideia é que quando não estivermos mais aqui, essa pesquisa continue sendo feita. É a história de nossa região, que foi importantíssima para o Brasil”, analisa Damiana de Oliveira.
O responsável pela memória de São Bernardo Jorge Joaquim Magyar ficou muito feliz com o resultado da pesquisa delas, que deve ter continuidade no próximo ano. “Há uma grande possibilidade de ele ter chegado antes de Cabral sim, isso não deve ser descartado.” Segundo ele, a carta de Privilégio muda pelo menos uma das vertentes da possibilidade de sua vinda para cá. “Muito se falou que ele era até um bandido, degredado, e, na verdade, por essa carta, vemos um reconhecimento. Essa carta é real, é um documento importante que elas localizaram lá e põe por terra a ideia de ele ser um mau-caráter, uma pessoa que tenha cometido delitos”, analisa o memorialista.
E não dá para julgar, acrescenta, a conduta do bandeirante. “Tem de contextualizar o momento em que ele viveu e a precariedade da situação que ele se encontrava. Era um local difícil, a relação com os indígenas não era tão tranquila. Eles guerrilhavam, tinha antropofagia. Tudo isso fazia parte do cotidiano e é claro que em alguns momentos ele se molda a essas práticas. Tenho dificuldade de julgá-lo com os olhos e valores éticos que temos hoje”, finaliza.
Bartira é considerada ‘princesa’
Na maioria dos registros a que se dá conta, a índia Bartira, filha do cacique Tibiriçá com a índia Potira, aparece apenas como coadjuvante na história de João Ramalho. “A gente estuda na escola que Bartira é a mulher do João Ramalho e ponto. E, de repente, a gente começa a descobrir uma mulher inteligente, guerreira, muito admirada na época, muito diplomática, que falava muitas línguas. Encontramos um pesquisador de Portugal que escreveu um artigo falando sobre a Bartira, que, sem ela, provavelmente não existiria São Paulo, dada a importância que ela teve nessa época”, diz a tradutora Damiana Rosa de Oliveira.
Ela e Andreia Vazquez pretendem reunir mais documentos a fim de se aprofundarem na história da índia. “Seria muito mais bonito se as futuras meninas crescessem com a ideia de uma Bartira empoderada, do que essa história da mulher de João Ramalho apenas”, acrescenta Damiana.
Um dos documentos encontrados por Andreia em Vouzela se refere a Bartira como ‘princesa Isabel’ – já que ela recebeu o nome cristão de Isabel Dias. “Quando ela se converte começa a entender que era casada com um homem casado e o abandona. O José de Anchieta diz em uma de suas cartas que ela dava a vida pelo Pateo do Colégio, era uma ‘cristã valorosa de ir à missa’. Ele também se refere à data da morte da Bartira como ‘o dia mais triste da Vila de Piratininga’”, acrescenta a tradutora. A ideia dela e de Andreia é de fazer um livro que conte a fundo a história daquela que seria a primeira princesa do Brasil.


                        Resenha do livro O sete Orelhas  
             autor: Rodrigo Leandro de Sousa Oliveira
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                     Apendice do livro O Sete Orelhas
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                 Grafico encartado no livro O sete Orelhas
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quarta-feira, 24 de outubro de 2018



Resenha do livro de: Luciano Bruno Ribeiro Garcia Dálessandro

O sete Orelhas ou a história das perseguições aos descendentes dos colonos de origem flamenga no Brasil


As perseguições de que foram vítimas muitas famílias brasileiras entre os séculos XIX e XX são evidenciadas neste livro a partir da releitura de mais de quarenta obras publicadas no Brasil e na Europa entre os anos de 1836 e 2006. Amparando-se na transcrição de livros e jornais, esta obra acaba por resgatar a história dos colonos do Brasil século XVIII ao mostrar que a partir do século XIX as famílias descendentes desses colonos acabaram sendo vítimas das perseguições levadas a efeito através do personagem 'Sete Orelhas'.
Da seguinte maneira tiveram curso essas perseguições. É sabido que o Brasil foi colonizado pelos portugueses a partir do ano de 1500. Passados pouco mais de trezentos anos, em 1822, a Colônia foi transformada em nação independente com o nome de Império do Brasil. Pelo que se observa do livro “O Sete Orelhas ou a história das perseguições aos descendentes dos colonos de origem flamenga no Brasil”, o processo político que levou à criação do Brasil independente fez surgir entre os políticos da nascente nação uma pequena elite constituída basicamente por pessoas cujo objetivo seria apenas a permanência no poder. Para levar adiante seu projeto de poder, em meados do século XIX esse pequeno grupo de políticos deu início às perseguições ao maior grupo social então existente no Brasil, as perseguições às famílias descendentes de colonos originários do arquipélago dos Açores.
Formado por nove ilhas esparramadas num raio de 600 quilômetros, o arquipélago dos Açores foi descoberto pelos portugueses em meados do século XV. Para levar a efeito a colonização das ilhas situadas no centro do arquipélago, que se encontram dispersas num raio de 150 quilômetros, os portugueses se valeram dos ancestrais desses colonos do Brasil do século XVIII. A colonização flamenga dos Açores ocorreu por interferência de D. Isabel, a condessa de Flandres e irmã do Rei D. Manoel, a qual conseguiu que flamengos da região de Bruges partissem em longa viagem para ocuparem as terras das ilhas do Faial, da Graciosa, do Pico, de São Jorge e Terceira. Passados cerca de 200 anos, descendentes desses colonos dos Açores iniciaram nova colonização, deixando para traz a ilha do Faial e as demais ilhas açorianas, empreendendo grande viagem marítima para serem colonos nas terras dos caminhos do ouro do Brasil colônia.
Foi assim que a maioria desses colonos acabaram por se estabelecer na região das nascentes do rio Grande, hoje sul de Minas Gerais, região por onde passavam vários caminhos antigos do Brasil Colônia. Situada na divisa com a montanhosa região onde havia intensa exploração de ouro, a região das nascentes do rio Grande, com seus morros suaves cobertos de capim, rapidamente tornou-se uma próspera região fornecedora de alimentos para as regiões auríferas. No início do século XIX, em decorrência de repetidas levas de colonos que haviam descido pelo curso do rio Grande, os descendentes das famílias de origem flamenga habitavam a região que mais se desenvolvia no Brasil, a região das terras desbravadas no curso do rio Grande, as terras que levavam ao interior de São Paulo e Minas Gerais.
A origem flamenga deste grupo social vem esclarecer a intensa participação de D. Pedro II nas perseguições, o que se observa diversas vezes no livro “O Sete Orelhas ou a história das perseguições aos descendentes dos colonos de origem flamenga no Brasil”. Ao que parece, uma antiga animosidade entre franceses e flamengos, que foi alimentada pela nobreza francesa desde o dia 11 de julho de 1302, quando houve a derrota francesa na Batalha das Esporas Douradas, com a morte de cerca de 800 nobres franceses, teria levado o imperador D. Pedro II - um nobre simpático aos sentimentos da nobreza francesa - a se tornar antipático ao sentimento que unia aquele grupo social de origem flamenga. Esta afinidade teria levado D. Pedro II a se unir àquele pequeno grupo de políticos e ajudá-los a levar adiante as perseguições aos descendentes dos colonos de origem flamenga no Brasil.
As publicações que deixaram pistas de que estava em curso as perseguições ao maior grupo social do Brasil, em um primeiro momento trouxeram o personagem 'Sete Orelhas'. Em um segundo momento, as perseguições trouxeram a público obra contendo o nome Januário Garcia. E, terminando seu processo inicial, em um terceiro momento as perseguições trouxeram o nome Januário Garcia Leal
De fato, a primeira publicação sobre o personagem 'Sete Orelhas' surgiu em uma obra escrita em inglês, publicada em Londres em 1836, o livro "The History of Brazil", de John Armitage. Segundo essa versão para o caso das sete orelhas, um moço de Sorocaba teria seduzido uma sua patrícia de Itu, sendo por isso morto por sete primos da moça. Por vingança, o irmão do falecido teria levado à morte os sete assassinos, dos quais extirpou sete orelhas, fazendo com elas um colar, daí resultando o apelido com que ficou conhecido, ‘o Sete Orelhas’. 
Transcorridos sete anos, em 1843 pela primeira vez houve a publicação da estória do personagem Sete Orelhas em português. Naquele ano o escritor carioca Joaquim Norberto de Sousa Silva publicou no Rio de Janeiro a obra “Januário Garcia ou As Sete Orelhas”. Portanto, foi por obra deste autor que o nome de família Garcia acabou associado ao personagem Sete Orelhas. Na versão de Joaquim Norberto de Sousa Silva é a morte de um filho de Januário Garcia, esfolado vivo por sete capangas, que provoca a cruel vingança perpetrada por 'Sete Orelhas'.
Passados dois anos, em 1845, Martim Francisco Ribeiro de Andrada, um estudante da Academia de Direito de São Paulo, publicou a peça de teatro “Januário Garcia, o Sete Orelhas”. Este autor inovou no caso das sete orelhas ao chamar o cruel assassino pelo nome de Januário Garcia Leal. Além disso, Martim Francisco Ribeiro de Andrada inseriu no caso das sete orelhas o nome de família ‘da Silva’, o nome de família atribuído aos sete assassinos que acabaram mortos na cruel vingança de 'Sete Orelhas'. Em outra inovação, a causa das desavenças passa a ser uma disputa de terras envolvendo as famílias 'Garcia Leal' e 'da Silva'. A primeira encenação da peça foi no teatro da Casa da Ópera, em São Paulo, em 1846, em meio ao já tradicional concurso de alunos da Academia de Direito, quando da primeira visita a cidade de São Paulo de SM Imperial D. Pedro II.
Sobre o nome atribuído ao personagem Sete Orelhas por Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o nome Januário Garcia Leal, sabe-se que este foi o nome de um habitante do Brasil Colônia. O colono Januário Garcia Leal nasceu na povoação do
Jacuí, em Minas Gerais, no ano de 1761. Ele viveu entre Minas Gerais e São Paulo do final do século XVIII ao começo do século XIX. Januário Garcia Leal foi um dos filhos do colono Pedro Garcia Leal, e neto do colono João Garcia Luís, nascido na ilha do Faial em 1679.
Mas, foi o nome de família atribuído ao personagem 'Sete Orelhas' por Joaquim Norberto de Sousa Silva, em 1843, o nome de família 'Garcia', que foi o maior objetivo das perseguições. Por conta disso, neste livro foi desenvolvida uma extensa genealogia tendo como tronco o nome de família Garcia. A genealogia se inicia com sete pessoas, cinco delas transformadas em colonos no Brasil, todas nascidas na ilha do Faial entre os anos de 1679 e 1706. São nomes dessa genealogia os colonos João Garcia Luis (1679 - 1736), Diogo Garcia (1690 - 1762), Antônio Garcia (1692 - 1768), João Garcia Duarte (1700 - 1771) e José Garcia da Costa (1706 - (?)). A árvore genealógica formada demonstra que foi nas nascentes do rio Grande que a partir de meados do século XVIII surgiram várias famílias no Brasil colônia. Com o passar do tempo, muitos membros dessas famílias unidas por laços sócio-culturais acabaram por descer o curso do rio Grande, espalhando-se pelas terras que margeiam este rio, chegando ainda no início do século XIX a Mato Grosso e Goiás.
Sobre o nome de família atribuído em 1845 aos sete assassinos que teriam sido mortos na vingança de Januário Garcia, o 'Sete Orelhas', o nome de família ‘da Silva’, observa-se na genealogia que este é o nome que identifica uma das famílias formadas a partir dos colonos Garcia. Trata-se de uma descendência que surgiu a partir de 1760 no antigo Turvo, hoje Andrelândia, Minas Gerais, do casamento de três colonos que assinavam o nome de família 'da Silva', parentes entre si, uma mulher e dois homens, com duas filhas e um filho do colono José Garcia da Costa, um dos nomes troncos da genealogia Garcia.
A presença desta identidade sociocultural esparramada por muitas famílias em uma vasta região do interior do Brasil Colônia, vem esclarecer porque em meados do século XIX os perseguidores deram ao personagem 'Sete Orelhas' o nome de família Garcia. Buscavam os perseguidores a desagregação daquele grupo social mediante a introdução de um sentimento de repulsa ao nome que os unia, o nome de família ‘Garcia’.
Na compilação feita no livro trechos de muitas obras escritas em um longo período de tempo são transcritas, o que torna possível fazer um contraste das obras. Assim, é possível identificar as obras que começaram as perseguições, com seu inicio em 1836, é possível também identificar obras que reagiram a essas perseguições. Muitas das obras que reagiram às perseguições desdenhavam de autores de publicações que sustentavam a existência do personagem ‘Sete Orelhas’. Este é o caso do folhetim publicado na edição de 26 de maio de 1867 do jornal Correio Mercantil, do Rio de Janeiro. Então, sob o pseudônimo de ‘Osiris’, no folhetim o jornalista Joaquim José de França Júnior contesta o escritor da peça de teatro “Januário Garcia, o ‘Sete Orelhas’”, o então Ministro da Justiça Martim Francisco Ribeiro de Andrada. 'Osiris' alude que Martim Francisco teria sido o criador do personagem ‘Sete Orelhas’. Entre ataques com frases como ‘folhinha de ano findo’, ‘sapucaia sem cocos’, Joaquim José de França Junior sugere que Martim Francisco Ribeiro de Andrada teria tido a seguinte inspiração ao compor sua peça de teatro: ‘resolvi esboçar, não o quadro da miséria de uma
família, mas o croquis da desgraça de um povo’.
Na sequencia das obras que sustentaram a existência do personagem ‘Sete Orelhas’ tem-se como exemplo o livro "A Província de São Paulo", de Manoel Eufrásio de Azevedo Marques, de 1876. Esta foi a primeira obra publicada após o surgimento do folhetim de França Júnior, em 1867. Com ME de Azevedo Marques pela primeira vez surgiu a 'notícia' da descoberta de uma fonte primária contendo o nome de Januário Garcia Leal, uma ordem régia datada de 1803, que tratava de crimes envolvendo o nome Januário Garcia Leal ‘na paragem de Santo Antônio do Amparo’, em Minas Gerais. Outras fonte primárias para o caso das sete orelhas surgiram no livro "Jurisdição dos Capitães, a história de Januário Garcia Leal, o Sete Orelhas, e seu bando", de 2003, e no artigo "Januário Garcia Leal em Santa Catarina - O Temido 'Sete Orelhas' - Reviravolta na história", de 2006, ambas obras do escritor mineiro Marcos Paulo de Souza Miranda. Nesta última obra o autor informou a localização do suposto inventário de Januário Garcia Leal em Lages, Santa Catarina.
A falsificação de documentos manuscritos no caso das sete orelhas é evidenciada contrapondo-se as supostas fontes primárias com as obras compiladas. Por exemplo, na peça de teatro escrita em 1845 e encenada em 1846, Martim Francisco Ribeiro de Andrada inseriu no caso das sete orelhas os nomes de família ‘Garcia Leal’ e ‘da Silva’, dois nomes de família que fazem parte da genealogia desenvolvida a partir dos colonos Garcia originários da ilha do Faial. Passados vinte e um anos da estreia da peça de teatro, no ano de 1867, o jornalista Joaquim José de França Júnior publicou um folhetim denunciando a inspiração de Martim Francisco Ribeiro de Andrada ao compor sua peça de teatro: ’...resolvi esboçar, não o quadro da miséria de uma família, mas o croquis da desgraça de um povo’. Por fim, quando se comemorou trinta anos da retumbante estreia da peça no teatro “Januário Garcia, o Sete Orelhas”, encenada em 1846 no teatro da Casa da Ópera, no ano de 1876 o escritor M. E. de Azevedo Marques publicou a notícia da 'localização' de uma ordem régia de 1803 envolvendo o nome Januário Garcia Leal em crimes que teriam ocorrido em Minas Gerais.
E neste pêndulo que se observa na compilação de obras sobre o caso das sete orelhas tem-se também uma gravura do político José Bonifácio de Andrada e Silva, ainda jovem, que apareceu em 1836 no livro "The History of Brazil", de John Armitage, a obra escrita em inglês que trouxe a primeira notícia do cruel assassino 'Sete Orelhas’. De outro lado, tem-se o livro "Os Andradas na história do Brasil", de autoria do historiador mineiro João Dornas Filho, obra publicada em 1936, ou seja, exatamente ao se completarem cem anos da publicação do livro “The History of Brazil”. Quando se comemorou o centenário da publicação do livro de John Armitage, em seu livro “Os Andradas na história do Brasil” o escritor mineiro João Dornas Filho trouxe uma abordagem extremamente desairosa dos políticos da família Andrada, dentre os quais José Bonifácio de Andrada e Silva.
Nestes embates observados pelo contraste das obras compiladas no livro “O Sete Orelhas ou a história das perseguições aos descendentes dos colonos de origem flamenga no Brasil” se constata que foi a ambição pela perpetuação no poder que fez surgir condições para que por cerca de 170 anos ocorresse a publicação de obras envolvendo o personagem ‘Sete Orelhas’. Contando com a participação de SM D Pedro II e de vários membros da família Andrada, um pequeno grupo que se instalou na
política brasileira deu início as perseguições a um povo. E assim a partir de 1836 esse grupo de pessoas passou a se servir do personagem 'Sete Orelhas' para fomentar o fim da identidade das famílias descendentes de colonos de origem flamenga, oriundos da ilha do Faial, no arquipélago dos Açores.
As perseguições a esse grupo de famílias praticada por uma minoria articulada, por uma elite política formada nos subterrâneos da sociedade brasileira, levaram ao fim da coesão social de um povo, o povo dos 'Garcias', descendentes dos colonos flamengos que habitaram os Açores no século XV. Com a perda da coesão daquelas famílias, houve o enfraquecimento do sentimento de pátria que havia surgido pelo interior do Brasil Colônia, entre Minas Gerais e São Paulo. A diminuição do sentimento cívico em um povo, esta foi a mais marcante das consequências das perseguições aos descendentes dos colonos de origem flamenga no Brasil.
Conforme se observa na genealogia formada a partir dos colonos Garcia originários da ilha do Faial, são as seguintes as famílias que surgiram nas nascentes do rio Grande em meados do século XVIII: as famílias de Almeida, Andrade, de Arantes, de Azevedo, de Carvalho, da Costa, Fagundes, Fernandes, de Figueiredo, Fonseca, Garcia, Garcia Leal, Guimarães, Junqueira, Landin, Martins, Matos, Mendonça, Nogueira, Pereira, Salgado, da Silva, de Souza, Ribeiro, Teixeira, Vargas e Xa

terça-feira, 14 de agosto de 2018



                              Sobre o Alferes Antônio Manoel da Palma
                                                                                                                      Por Neco Torquato Villela

Antônio Manoel da Palma nasceu em Guaratinguetá, em 1784, era filho de Pedro Rebouças da Palma e Maria do Rego Barbosa.
Antônio casou-se com Maria Rodrigues de Santiago, em Campanha – MG em 13 de setembro de 1803.
Maria nasceu em Campanha – MG era filha do Capitão Domingos José Rodrigues e de Julia Maria de Jesus.
No inventário do alferes Antônio Manoel da Palma, notado em 1858, em Itajubá –MG descreve com bens de raiz:
 Fazenda Bandeirinha e Pimenteiras, ambas em São Simão – SP
No inventário também temos a declaração dos seguintes filhos:
1 - Maria Evangelista Santiago viúva de Francisco Freire de Almeida (moradores de Ouro Fino-MG), este falecido em 22/9/1855 em Santa Rita do Sapucaí ao 66 anos;
2 - Antônio Manoel da Palma Filho casado com Mariana Vieira de Jesus (moradores de Casa Branca- SP), filha de José Vieira da Fonseca e Floriana Maria das Neves.
3 - Domingos José Rebouças da Palma casado com Maria Cândida Villela (moradores de Santa Rita do Sapucaí – MG), filha do alferes Francisco Tomás Vilela e Luiza Cândida da Silva;
4 - Francisco Manoel da Palma casado com Vitória Maria da Palma (moradores de Santa Rita do Sapucaí – MG), Francisco faleceu em 17/9/95, aos 45 anos em Santa Rita do Sapucaí;
5 - Vitória Joaquina Santiago casada com Cap. José Gonçalves da Silva (sem descendentes).
6 - Ana Júlia Santiago casada com José Pereira de Toledo e Silva (moradores de Brotas-SP).
O filho número 3 acima, Domingos José Rebouças da Palma, faleceu em Santa Rita em 14/9/1860.
 No seu inventário (em Itajubá - MG) foi declarado como bem de raiz afazenda Boa Vista do Mata Cachorro, em Sta Rita.
Domingos José e Maria Cândida Villela
tiveram 2 filhos:
1 – Cel. Francisco Vilela da Palma. Cel Chico Palma, como era conhecido, nasceu em Sat Rita em 1842. Casou-se, em 1º núpcias, com Francisca Maria Vilela, filha João Vilela dos Reis e Francelina Constância de Vasconcelos.
Em 2ª núpcias com Maria Pereira Cabral, natural de Itajubá.
Cel Chico Palma não deixou descendentes em nenhum de seus casamentos.
Em seu testamento Cel Chico Palma deixou todos seus bens para José Cleto Duarte e sua esposa, Amélia Mendes de Vasconcelos
2 -Maria Evangelista da Palma nasceu em Santa Rita em 1843. Casou-se com José Carlos de Magalhães, filho de João Vilela de Magalhães e Maria Joaquina de Magalhães.
 i. Francisca Palma de Magalhães , casada com João Vilela de Vasconcelos "Zico", filho de José Vilela de Vasconcelos e Mariana Leopoldina Pereira
ii. Carlos nasceu 4 em 7 agôsto 1868 em Santa Rita do Sapucaí - MG.
iii. Adolfina Palma de Magalhães casada, em 1ª núpcias, com Henrique Cândido Vilela, filho de José Vilela de Vasconcelos e Mariana Leopoldina Pereira, e em 2ª núpcias com José Carlos Chaves de Oliveira.
 iv. Maria Palma de Magalhães, casada com Maximiano Mendes de Magalhães, filho de Joaquim Ribeiro de Magalhães e Barbara Carolina Mendes
v. José Palma de Magalhães, casado com Antonieta de Castro Magalhães
vi. Maria Vilela da Palma, casada com Francisco Avelino de Magalhães, filho de João Vilela de Magalhães e Maria Joaquina de Magalhães.


            As primeira gerações dos Ribeiro do Vale 
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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

                     
                               GRAFICOS


     Ascendência de Renato Ribeiro Palma 58 pgs                                                              

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           Arvore de familia de Renato Ribeiro Palma

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