Lobisomem? (Barra Seca)
Meus pais eram recém-casados e foram morar em uma casa construída um pouco acima da de seus pais, mais perto da estrada.
A tia Sebastiana e os filhos moravam no sítio ao lado. As casas de sítio tinham a porta fechada por uma taramela e uma tranca que consistia em duas argolas de couro, uma de cada lado da porta, onde era fixado um pedaço de madeira roliça. Essa tranca só era usada à noite.
O primo Inácio era solteiro. Ele tinha uma égua chamada Amazona e umas duas vezes por semana, depois da janta, ia à casa dos primos ouvir rádio e jogar baralho.
Uma noite dessas quando ia voltando, lá pelas 11 horas da noite, ao atravessar a encruzilhada olhou para cima, dos lados de Fartura, e viu um bichão que mais parecia um urso, descendo a estrada. Ele contava que era grande e vinha rebolando. Os pelos brilhavam.
Chegou a espora na égua e passou gritando pela estrada perto da casa dos meus pais. Meu pai conta que ele gritava: mãããe abre a porta...mãããe abre a porta!
Dona Sebastiana contava que na hora que escutou os gritos, levantou, acendeu a lamparina e foi abrir a porta. Tirou a tranca de um lado da porta, nem deu tempo de tirar do outro lado. O Inácio do jeito que pulou da égua deu uma peitada na porta e arrebentou a tranca!
Fechou a porta e só no outro dia foi tirar o arreame da Amazona.
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