OS
RIBEIROS DO VALLE E A FUNDAÇÃO DE SANTA RITA DO PASSA
QUATRO - (José
Fernando Cedeño de Barros)
Afigura-se-nos
excelente a oportunidade que o cinquentenário de nosso querido Instituto
Genealógico Brasileiro nos trouxe para, em razão de comemorarmos esta
importante efeméride, discorremos um pouco sobre a Família RIBEIRO DO VALLE e a
fundação da aprazível Estância Climática de Santa Rita do Passa Quatro.
A história da
fundação de Santa Rita do Passa Quatro é a história da Família Ribeiro do
Valle. De fato, a civilização só pode fixar naquela região após a chegada do
Alferes JOSÉ VIEIRA DA FONSECA e de seus genros INÁCIO RIBEIRO DO VALLE e
ANTÔNIO MANUEL DA PALMA, vindos de Pouso Alegre, na então Província de Minas
Gerais, no ano de 1839.
A fundação da
cidade, porém, dar-se-ia somente no ano de 1862. É que no então Sertão de Casa
Branca abundava malfeitores temidos e terríveis.
Com
efeito.
Segundo nos conta
ANTÔNIO CARLO RIBEIRO (Caíto), filho de Inácio Ribeiro do Valle, a região era
habitada por fazendeiros NOGUEIRA, pela família de mulatos PEREIRA DE BARROS e
por uma família de facínoras, constituída de dois irmãos e de uma irmã, mais a
velha mãe dos bandidos, que habitavam próximo de onde hoje se ergue Santa Rita
do Passa Quatro. Em razão da presença desses malfeitores, tornava-se impossível
a fixação de gente e edificação de prédios. Mas o Alferes José Vieira da
Fonseca, inicialmente radicado na hoje cidade de SÃO SIMÃO, auxiliado por seus
genros, fez amizade com alguns bandidos e exterminou
cem outros (*), só restando, por
fim, os tais irmãos Teixeira. Segundo CAÍTO, a irmã, Cândida, sabia preparar um
remédio para feridas de tiro, no que entravam pólvora e vinagre.
Certa feita, numa
das costumeiras brigas com a outra família de bandidos, os Botas, morreram os
três irmãos. A mãe, pediu, então, a INÁCIO RIBEIRO DO VALLE que a acudisse e
levasse os corpos para São Simão, onde existia o único cemitério de uma vasta
região. INÁCIO RIBEIRO DO VALLE, compadecido da velha mãe, disse- lhe: “Deve ser duro, D. Emiliana, perder três
filhos desta maneira”. Ao que a mãe dos bandidos respondeu: “Que nada “seu” Inácio, pela vida que
levavam, já era esperado esse fim. Com o que não me conformo, é que, no
entrevero, quebrou-se uma travessa de
estimação, que me acompanhava há bem mais de doze anos”...
Segundo CAÍTO,
ainda, consta que, exterminado os bandidos, iniciou-se a construção do orago da
cidade, tornando-se necessário derrubar árvores e arrancar velhos troncos, o
que se fez com o auxílio de juntas de boi. CAÍTO, aliás, nomeia os bois e os
camaradas que fizeram o serviço, mas já não nos lembramos, pois o manuscrito há
muitos anos não se encontra mais em nossas mãos, cedido “por empréstimo” a parente que custa na leitura... Pois bem, como a
região é serrana, os animais sentiam dificuldades em vencer a subida e arrancar
os tocos de grossas e centenárias árvores. Um dos camaradas, então, invocou a
Santa de predileção dos Ribeiros do Valle, gritando: “Para frente, por Santa Rita!” Daí em diante, é Caíto quem conta,
os bois puxaram os troncos da árvore de JOELHO!
Tudo isso,
naturalmente, são lendas. O que consta de verídico é que, mercê de uma generosa
oferta de D. Rita de Cássia Nogueira, de Rita Ribeiro, de seu marido,
Capitão
Gabriel Porphirio Villela, e de INÁCIO RIBEIRO, tornou-se possível à edificação
do arraial, vila e depois município de Santa Rita do Passa Quatro.
Nesse passo, vamos dar a palavra a um outro parente, nosso saudoso tio
VICTOR RIBEIRO, que bem “historía” a
participação dos Ribeiro do Valle na fundação.
“...do simples
ato dessa gente, deslocando-se das longínquas paragens mineiras para os sertões
de São Paulo, em busca da terra dadivosa onde pudesse, dando expansão à sua
atividade, realizar as suas falgueiras aspirações, pode-se aferir da sua pugnacidade, do seu espírito de luta.
“E assim foi
que, transportando-se para a terra da promissão, que deveria servir de campo
para o desenvolvimento de suas energias o berço de seus filhos, trataram de
edificar suas moradas nas orlas dos campos, aproveitando-se das pastagens
naturais destes para o desenvolvimento das criações de gado bovino, de animais
cavalares, porcos e da indispensável ovelha, e de abrir nas matas clareiras,
onde, ao lado do café, plantavam de tudo: a mandioca que lhes fornecia a
farinha e o polvilho; a cana de açúcar, a mamona para o azeite dos
indispensáveis candeeiros, o fumo, o algodão e tudo mais. Pois, naqueles bons
tempos, os agricultores procuravam abastecer a si próprios, não faltando os
tecidos de lã e de algodão e tudo mais, que eram fiados e tecidos pelas
próprias donas de casa. Católicos por tradição, não demoraram a edificar o
templo para a prática de sua religião e, em 1862, tendo INÁCIO RIBEIRO DO VALLE
e seus filhos CARLOS RIBEIRO DA FONSECA e FRANCISCO DEOCLECIANO RIBEIRO, e seu
primo-irmão ANTÔNIO MANUEL DA PALMA e outros habitantes da zona,
trataram de construir, em terrenos doados por INÁCIO RIBEIRO DO VALLE e Da.
RITA DE CÁSSIA NOGUEIRA, a sua capela, dando início ao arraial, vila e hoje
cidade de Santa Rita. A provisão de visita, benção e celebração dos ofícios
divinos na referida capela, datam de 22 de dezembro de 1862, segundo o “Livro
Tombo” da Matriz, páginas 4 e 5. O nome Santa Rita foi lembrado, segundo uns,
em homenagem a um dos doadores do patrimônio, Da. Rita e, segundo outros,
evocando Santa Rita do Vintém, de onde eram oriundos os Ribeiro do Valle.
Afeitos a política e compreendendo que só o bafejo dessa podia apressar o
desenvolvimento da zona nova, arrigementavam-se sob a bandeira do “Partido
Conservador”, em cujas fileiras já militavam na sua Província natal políticos
tolerantes em geral, mas assencialmente intransigentes em certos princípio, e
pugnazes, o adversário sempre os encontrava de lança em riste, prontos para o
bom combate. Quando no poder, desprendidos de posições, só visavam o bem
público. Chefiou o partido por muitos anos, ao lado de seus irmãos, INÁCIO
RIBEIRO DO VALLE, o qual vindo a falecer em 1877, mais ou menos, a edilidade
local houve por bem dar a uma das ruas da cidade o seu nome, Rua Inácio Ribeiro,
em homenagem à sua memória e pelos relevantes serviços prestados à causa
pública. Com o desaparecimento de INÁCIO RIBEIRO DO VALLE e de seus irmãos e
cunhados, seus contemporâneos, chegou à vez de aparecer no cenário político
local à geração nova, quase toda nascida e criada na prometedora terra, que
constituía uma legião de cidadãos respeitáveis e bravos que em primeiro lugar
haviam transposto as divisas de Minas para se localizarem no nosso abençoado
São Paulo.
Dentre esses novos
podemos citar: LUIZ, JOSÉ, PEDRO, ANTÔNIO, CARLOS e JOAQUIM RIBEIRO
DO VALLE; - JOSÉ e
MANOEL VIEIRA DE ANDRADE
PALMA
e tantos outros, que destacavam-se pela sua inteligência e vivacidade de
espírito; pela visão clara das coisas e ponderação de seus ato, notadamente
FRANCISCO DEOCLECIANO RIBEIRO, o qual, sem que pretendesse, mas impelido pelas
circunstâncias, viu-se guindado ao posto duplo de chefe: chefe da então já
numerosa família, por cujos membros
era procurado, ouvido
e acatado, e chefe do
Partido
Conservador; tendo como seus companheiros de diretório, seu primo-irmão e
cunhado JOSÉ VIEIRA DE ANDRADE PALMA, e seus irmãos LUIZ e MANOEL RIBEIRO e
outros.
Do que foi a
atuação de CHICO RIBEIRO, como era conhecido, na direção do glorioso Partido
Conservador e nos destinos da sua terra amada – Santa Rita –, contam os nossos
velhos (que hoje tantos escasseiam) episódios interessantíssimos. As pugnas que
se travaram, então em oposição ao Partido Liberal, do qual era um dos chefes
Joaquim Victor de Souza Meirelles, e de quem foi a um tempo sócio e
posteriormente compadre, e em todos os tempos amigo dedicado, foram memoráveis
e fizeram época.
CHICO RIBEIRO,
por esse tempo, com projeção também na política de São Simão, por onde havia se
mudado muitos membros da tão numerosa família – chefe prestigioso e prestigiado
pelos maiorais do Partido: Martínico e Antônio Prado(1), Arthur de Queiroz e
outros, com quem mantinham relações de amizade – era um dos porta-vozes que
punha o interior em contato com a Capital da Província, sendo por isso,
frequentes suas visitas a esta.
Espírito
justiceiro, essencialmente liberal, coração boníssimo e sempre acolhedor, posto
que intrépido e dedicado, vivendo do povo e para o povo, granjeava assim o
coração de quantos dele se cercavam.
Falecendo Chico
Ribeiro, prematuramente, pois contava apenas 55 anos de idade, foi sua morte
uma das mais sentidas de quantas já têm ocorrido em Santa Rita.
Seu enterro
constituiu uma verdadeira apoteose, tomando parte o povo em massa.
Cognominaram-no então, de “Pai da Pobreza.” A Câmara Municipal, de motu-
próprio, mandou escrever no seu túmulo este epitáfio: “Aqui jaz o Benemérito de
Santa Rita”, e deu o seu nome a uma das ruas da cidade.
Posteriormente
(1916), por indicação do vereador Antônio Martins do Valle, foi colocado no
Grupo Escolar seu retrato, por se reconhecer ter sido ele o maior propulsor da
instrução em sua terra.
Com o
desaparecimento de Chico Ribeiro (*1832 - +1887), em 27 de abril de 1887, e as
mudanças de seus irmãos LUIZ RIBEIRO SALGADO, JOAQUIM CARLOS RIBEIRO, JOSÉ
IGNÁCIO e de seu cunhado JOSÉ SALGADO RIBEIRO, e de muitos outros membros da
numerosíssima família para o então “SERTÃO DE SÃO SEBASTIÃO DO TIJUCO PRETO”,
hoje município de Pirajú, as margens do ribeiro Fartura, e as mudanças de
outros membros destacados da mesma para São Simão, nos locais denominados
“COQUEIROS” e “POSSE DE SÃO LOURENÇO”, hoje SANTA ROSA, seguido do 13 de Maio,
que abalando nos seus alicerces o governo monárquico, contribuiu para a
deflagração da República, assim como o afastamento da arena política, como era
natural, dos contemporâneos sobreviventes de Chico Ribeiro, a política de Santa
Rita, como em todo o território nacional, sofreu uma espécie de síncope ou
entorpecimento.
Passados que foram
os primeiros anos da República, após o golpe de estado desferido por Floriano
Peixoto e consequente revolta do Almirante Custódio José de Melo, surgiu na
arena política de Santa Rita a sua grande geração, já agora constituída de
elementos oriundos do entrelaçamento das famílias VIEIRA PALMA(2), RIBEIRO DO
VALLE e VIEIRA DA FONSECA, pois, como se constata no decurso desta narração,
foram casadas três VIEIRA DE ANDRADE que foram ANA, THEODOSIA(3) e MARGARIDA
VIEIRA DE ANDRADE(4) com três RIBEIROS DO VALLE que foram: FRANCISCO
DEOCLECIANO RIBEIRO, MANUEL
JOAQUIM
RIBEIRO e seu primo-irmão JOSÉ VIEIRA PALMA, cuja mãe era VIEIRA DA
FONSECA.
Desses consórcios
felizes é que proveio a falange dos Santa-Ritenses, que, em partido de
oposição, empolgou a política de sua terra a partir de 1888 até 1904.
Dentre essa
plêiade de ardorosos políticos novos se destacavam: JOAQUIM CUSTÓDIO RIBEIRO,
MANOEL VIEIRA DE ANDRADE PALMA, FRANCISCO
RIBEIRO
PALMA, ANTONIO CUSTÓDIO PALMA(5) e outros, auxiliados pelos seus parentes
afins, genros de Chico Ribeiro e José Palma: Dr. Cesário Ferreira de Brito
Travassos, João Conrado(6), Paulo Villela e outros.
Santa Rita atravessava
por essa época o seu período áureo. A sua lavoura achava-se em franca produção,
e seu comércio era ativíssimo e o “Forum” movimentado por pugilo de advogados
de renome: CELSO e ADALBERTO GARCIA DA LUZ, HORÁCIO DE SIQUEIRA, MATEUS CHAVES,
RANGEL JUNIOR, e
outros, orçando sua
população em torno de 25 mil almas (cf. “Autobiografia
e Outros Escritos”, Edição do Autor – São Paulo, 1957).
Por ocasião da
Revolta Armada, atrás mencionada, os Conservadores, liderados por Quincas
Ribeiro, de outro, os “Liberais”, do Partido Republicano, os Meirelles,
oriundos estes de Minas Gerais e aparentados com os Ribeiros, vez que a mãe de
INÁCIO RIBEIRO, Da. Floriana Maria das Neves, era, como os Meirelles, da
Família GARCIA DUARTE, da Ilha Fayal e estabelecidos no Brasil, na lengendária
AIURUÓCA.
Os Ribeiros, em
número reduzido, foram obrigados a deixar precipitadamente Santa Rita,
refugiando-se em São Simão. Os Meirelles, então, tomaram conta da cidade, bem
como apodeirando-se de algumas mulheres e crianças Ribeiros, que ficaram para
trás. Fazendo pressão, os Meirelles mandaram emissários a São Simão, com
ameaças visando à integridade dos Ribeiros que se deixaram ficar em Santa Rita.
Nessa ocasião, JOAQUIM CUSTÓDIO RIBEIRO, o tio Quincas, mandou o emissário
dizer ao Chefe dos Meirelles que eles fizessem o que bem entendessem, mas que
eles – Ribeiros – voltariam e nesse dia, ainda aqueles que tivessem ousado
tocar num fio de cabelo dos pobres reféns. Dizem os antigos que foi tal a forma
de entonação dada a essas palavras por tio Quincas e de tal modo o informante
as transmitiu aos Liberais que estes, apavorados, soltaram imediatamente as
senhoras e crianças e mandaram-nas para São Simão. Mais tarde, vencidos os
Monarquistas definitivamente, com a morte do Almirante SALDANHA DA GAMA, os
Ribeiros e Meirelles se reconciliaram, através de casamentos, como era usança
na época: LINA CÂNDIDA RIBEIRO, filha de Chico Ribeiro e Ana Cândida Vieira,
casou-se com o Coronel SEVERINO OCTÁVIO DE SOUZA MEIRELLES e JOAQUINA CÂNDIDA
RIBEIRO, filha de Manoel Joaquim Ribeiro e Margarida Vieira, casou-se com
MELCHÍADES DE SOUZA MEIRELLES, inaugurando uma nova geração de homens
destemidos, inteligentes e adiantados e mulheres formosas e dignas das
tradições de Família RIBEIRO DO VALLE(7).
Mais tarde, VICTOR
RIBEIRO, já citado nestas recordações, casou-se com MARIA JOSÉ DE SOUZA
MEIRELLES, irmã do Coronel Severino, solidificando ainda mais a união dessas
duas famílias.
Tiveram os
Ribeiros do Valle, ainda, ativa participação na política santa-ritense,
destacando-se o já citado Victor Ribeiro, que exerceu uma das mais profícuas
administrações que Santa Rita do Passa Quatro já teve, exercendo elevados
cargos públicos de 1922 a 1925. No final dos anos 50 ALCIRO e ALCIDES RIBEIRO
MEIRELLES, continuaram, em Partido de oposição. A pugnar pelo progresso de
nossa amada terra. Infelizmente, nos anos que se seguiram, a família, mercê do
inexorável progresso, rumou para outras plagas, mas, principalmente para a
Capital do Estado, onde destacaram-se e fizeram fortuna. Com isso, os Meirelles
mais e mais destacaram, com justo reconhecimento dos munícipes, aliás.
Hoje, os destinos
de Santa Rita são dirigidos pelos esforçados trabalhadores italianos que
acorreram à cidade no início deste século (**), mas, neste ano de 1990, temos o
prazer de consignar a presença de alguns descendentes de INÁCIO RIBEIRO DO
VALLE em terras de Santa Rita e passo adiante a nomeá-los: MARIA BEATRIZ
RIBEIRO CISCATO, MARIA LYGIA CONRADO RIBEIRO, JOSÉ FAUSTO e HELOISA RIBEIRO,
MARIA CECILIA RIBEIRO VELLOSO, PAULO HENRIQUE DA ROCHA CORRÊA, ZILAH PALMA
MEIRELLES, ILZA RIBEIRO MEIRELLES
e CELINA AZEVEDO
TIBIRIÇÁ, entre outros.
É nos grato,
outrossim, relacionar mais um entrelaçamento de três RIBEIROS DO VALLE com três
BRANT DA SILVA CARVALHO, outra importante família de fazendeiros
santa-ritenses, ali estabelecidos desde 1889, na Fazenda Taquaral, e que são: MARIA INÊS CEDEÑO DE BARROS,
MARIA HELENA e MARIA MARTHA
ARRUDA
DE SOUZA LIMA, casadas, respectivamente, com PAULO BRANT DA SILVA CARVALHO,
FERNANDO BRANT DA SILVA CARVALHO
e EDUARDO
BRANT
DA SILVA CARVALHO. Maria Inês é filha Antônio Ubirajara Ribeiro de Barros,
trineto de INÁCIO RIBEIRO DO VALLE. Maria Martha e Maria Helena são netas de
Maria Francisca Ribeiro do Valle, dos Ribeiro do Valle de Guaxupé.
Paulo, Fernando
e Eduardo, os primeiros engenheiros civis, são netos do Dr. ZÉCA CARVALHO (8) e
de Da. LUIZA BRANTH DE CARVALHO, filha do Dr.
José
Augusto Brant de Bulhões Carvalho e de Da. Anna de Sampaio, neta paterna do Dr.
José Pereira Bulhões Carvalho e de Da. Anna Sampaio, neta paterna de Dr. José
Pereira de Bulhões Carvalho e de Da. Augusta Maria Caldeira Brant, filha do 2.º Visconde de Barbacena, e neta do
MARQUES DE BARBACENA, sobre quem assim
se manifestou o historiador Alberto Rangel.
A figura
histórica de Caldeira Brant merece o toque impressivo de um velho gravador e
artista de águas fortes. Introduziu no Brasil duas variedades de cana, a
vacina, a moagem e maquinismos de fabrico de armas. O seu talento de FASHIONABLE recebeu todas as
consagrações e alguns embates de importância. A cultura europeia havia refinado
um capaz, diluído nas tricas bancárias, militares e políticos em que se nasceu
à vontade, bamboleando-se, escorregando e dando saltos. Na sociedade espessa de
enfados e revoltas do primeiro reinado, ele foi todavia um representante
festejado da cultura, que não se compreendia bem, mas se estimava muito. (cf. “D. Pedro I e a Marquesa de Santos”.)
Temos assim, unidas
duas estirpes bem distintas de brasileiros. De um lado, os RIBEIRO DO VALLE,
sertanistas da brasileiríssima TERESA DE MORAES, dentre cujos antepassados
vamos encontrar JOÃO RAMALHO e aquela a quem ele chamava sua “criada”, a índia
ISABEL DIAS. Vergôntea rija, de gente simples, mas de caráter nobre e generoso,
assim descrita pelo grande historiador Dr. Afonso D’Escragnole Taunay, em carta
ao Conde Ribeiro do Valle.
O primo tem razão.
Entre os nossos numerosíssimos parentes comuns consta-se uma maioria enorme de
pessoas que sempre souberam honrar o bom nome de seus antepassados e a rigidez
de seus princípios. Uns na prosperidade outros na labuta de uma vida obscura e
às vezes mui trabalhadora mas em geral todos homens de bem. (cf. José Ribeiro do Valle, “E Eles
cresceram e se multiplicaram” – Imprensa Metodista. São Paulo, 1972, página 58
– Carta do Dr. Taunay, de 09 de janeiro de 1929).
De outro lado,
uma família de genuínos fidalgos, nobres de raça e nobres, também, pelos dotes
de honradez, que constituiu a verdadeira nobreza. O fidalgo mineiro CALDEIRA
BLANT, descendente de um príncipe, o Duque de Brabant, (donde o nome Blant) e da mais velha e pureza
nobreza portuguesa e espanhola (por parte de sua mãe, Anna Francisca de
Oliveira e Horta, por sua vez descendente de
Pedro
D’Horta, da casa dos Condes de Horta, em Aragão.
Passou-se para Portugal em 1400. Teve honrosos lugares no tempo de AfonsoV).
Unem-se,
dessarte, em SANTA RITA DO PASSA QUATRO, os descendentes de sertanistas,
corajosos batalhadores, “enfrentadores” de bandidos no aspérrimo Sertão de Casa
Branca, e os fidalgos às voltas com as tricas palacianas, cujos nomes são
invocados juntamente com os dos Bragança e Bourbon e com – no dizer saboroso de
Paulo Setúbal – com a espirituosíssima Amélia de Beauharnais, princesa de
Louchtenberg, neta da “creolle” Josephine Tasher de la Pagérie, que se
notabilizou com o corso Bonaparte.
Enfim, verdadeiro
melting pot, imagem do Brasil, que
temos a esperança de vir brilhar e fazer feliz nossa querida terra. A esta
novíssima geração, que ainda está em brinquedo de criança, depositamos nossos
melhores anelos e, para finalizar esta nossa despretenciosa evocação,
consignamo-lhe os nossos: ANDRÉ, CRISTINA e SÍLVIA SOUZA LIMA CARVALHO, PEDRO e
LUÍS SOUZA LIMA DA SILVA CARVALHO, JULIANA, ALEXANDRE e PAULO HENRIQUE BARROS
BRANT CARVALHO.
“Só o Espírito, se ele ferve sob a argila,
pode criar o homem.” disse certa vez o Conde Antoine de Saint-Exupery (cf.
“Terra dos Homens’. Livraria José Olympio- Ed. Rio). Que este espírito, animado
pelos nobres exemplos dos RIBEIRO DO VALLE, inspire estas crianças no caminho
do bem e que, realizando sera prosperidade pessoal, busquem a felicidade de
nossa terra.
Ribeirão Preto, julho de 1990.
JOSÉ FERNANDO CEDEÑO DE BARROS
Sócio
efetivo do Instituto Genealógico Brasileiro. Mestrado em Direito Processual
Tributário da
Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Minhas observações:
(*) Sentido
figurado?
(**) Os italianos começaram a fixar-se em Santa
Rita ainda em 1887. Em 1900 alguns já eram proprietários de terras, graças a
sua força de trabalho.
(1) Conselheiro Antônio da Silva Prado, um dos
fundadores da Vidraria Santa Marina, foi pioneiro na introdução de colonos
italianos no Brasil para São Paulo, trazendo operários do Reino de Sabóia. É
bisavô de Dona Veridiana da Silva Prado, atual proprietária de Cristais Prado
Ltda., da qual tive a honra de ser advogado no ano de 1989;
(2) A
família VIEIRA DE ANDRADE origina–se do casal Capitão MANOEL CUSTÓDIO VIEIRA,
de Aiuruóca e de UMBELINA HONÓRIA DE
ANDRADE DINIZ JUNQUEIRA (*1822 +1855), da Franca;
(3) THEODÓSIA UMBELINA VIEIRA DE ANDRADE PALMA foi avó
do grande escritor e Diretor da Revista dos Tribunais Dr. NELSON PALMA
TRAVASSOS e sogra de Dr. João Rodrigues Guião, Prefeito de Ribeirão Preto e
abastado cafeicultor na região;
(4)
Trisavó do autor
destas linhas (Margarida Umbelina Vieira, Margarida Umbelina Ribeiro, Margarida
Umbelina Vieira de Andrade e Margarida Junqueira Vieira, são as variantes com
que se assinava. No registro paroquial do casamento de sua filha Maria
Umbelina, consta “Marianna Umbelina Vieira”, pelo que acreditamos deva
prevalecer a primeira fórmula);
(5) A família mantinha, em Santa Rita do Passa Quatro,
um jornal monarquista luxuosamente impresso, que se manteve até 1907 e
denominava-se “ALBUM IMPERIAL”, de que existem exemplares na seção de raridades
da Biblioteca Mario de Andrade, em São Paulo;
(6)
João Conrado foi avô
do Dr. João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, idealizador e proprietário da
famosa fábrica de veículos “GURGEL”;
(7)
Joaquina é mãe de
Maria do Carmo Ribeiro Meirelles, mulher do insigne processualista
Desembargador José Frederico Marques e avó de Yara Sandoval Meirelles, esposa
do diplomata Carlos Alberto Pimentel, atual cônsul do Brasil em Hon-Kong,
ex-cônsul geral do Brasil em N. York e Chefe do Cerimonial do Palácio
Bandeirantes no Governo Montoro;
(8)
O Dr. Zéca Carvalho
é filho do Coronel Bento José de Carvalho e de Cândida de Aguiar Melchert e
pertence à Casa dos Andradas por sua bisavó, D. Ana Marcelina, irmã do Patriarca
José Bonifácio;
(9)
Consignamos, aqui,
nossos especiais agradecimentos pelas informações prestadas, para que fosse
possível a elaboração deste artigo ao Dr. José Ribeiro do Valle, D. Maria Stella Brant da Silva Carvalho
e à memória de
D. Angelina Mendes Ribeiro e Dr. Eduardo Lousada
Rocha.
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