segunda-feira, 30 de dezembro de 2019


   
OS RIBEIROS DO VALLE E A FUNDAÇÃO DE SANTA RITA DO PASSA
QUATRO - (José Fernando Cedeño de Barros)

Afigura-se-nos excelente a oportunidade que o cinquentenário de nosso querido Instituto Genealógico Brasileiro nos trouxe para, em razão de comemorarmos esta importante efeméride, discorremos um pouco sobre a Família RIBEIRO DO VALLE e a fundação da aprazível Estância Climática de Santa Rita do Passa Quatro.
A história da fundação de Santa Rita do Passa Quatro é a história da Família Ribeiro do Valle. De fato, a civilização só pode fixar naquela região após a chegada do Alferes JOSÉ VIEIRA DA FONSECA e de seus genros INÁCIO RIBEIRO DO VALLE e ANTÔNIO MANUEL DA PALMA, vindos de Pouso Alegre, na então Província de Minas Gerais, no ano de 1839.
A fundação da cidade, porém, dar-se-ia somente no ano de 1862. É que no então Sertão de Casa Branca abundava malfeitores temidos e terríveis.
Com efeito.
Segundo nos conta ANTÔNIO CARLO RIBEIRO (Caíto), filho de Inácio Ribeiro do Valle, a região era habitada por fazendeiros NOGUEIRA, pela família de mulatos PEREIRA DE BARROS e por uma família de facínoras, constituída de dois irmãos e de uma irmã, mais a velha mãe dos bandidos, que habitavam próximo de onde hoje se ergue Santa Rita do Passa Quatro. Em razão da presença desses malfeitores, tornava-se impossível a fixação de gente e edificação de prédios. Mas o Alferes José Vieira da Fonseca, inicialmente radicado na hoje cidade de SÃO SIMÃO, auxiliado por seus genros, fez amizade com alguns bandidos e exterminou cem outros (*), só  restando, por fim, os tais irmãos Teixeira. Segundo CAÍTO, a irmã, Cândida, sabia preparar um remédio para feridas de tiro, no que entravam pólvora e vinagre.
Certa feita, numa das costumeiras brigas com a outra família de bandidos, os Botas, morreram os três irmãos. A mãe, pediu, então, a INÁCIO RIBEIRO DO VALLE que a acudisse e levasse os corpos para São Simão, onde existia o único cemitério de uma vasta região. INÁCIO RIBEIRO DO VALLE, compadecido da velha mãe, disse- lhe: “Deve ser duro, D. Emiliana, perder três filhos desta maneira”. Ao que a mãe dos bandidos respondeu: “Que nada “seu” Inácio, pela vida que levavam, já era esperado esse fim. Com o que não me conformo, é que, no entrevero,  quebrou-se uma travessa de estimação, que me acompanhava há bem mais de doze anos”...
Segundo CAÍTO, ainda, consta que, exterminado os bandidos, iniciou-se a construção do orago da cidade, tornando-se necessário derrubar árvores e arrancar velhos troncos, o que se fez com o auxílio de juntas de boi. CAÍTO, aliás, nomeia os bois e os camaradas que fizeram o serviço, mas já não nos lembramos, pois o manuscrito há muitos anos não se encontra mais em nossas mãos, cedido “por empréstimo” a parente que custa na leitura... Pois bem, como a região é serrana, os animais sentiam dificuldades em vencer a subida e arrancar os tocos de grossas e centenárias árvores. Um dos camaradas, então, invocou a Santa de predileção dos Ribeiros do Valle, gritando: “Para frente, por Santa Rita!” Daí em diante, é Caíto quem conta, os bois puxaram os troncos da árvore de JOELHO!
Tudo isso, naturalmente, são lendas. O que consta de verídico é que, mercê de uma generosa oferta de D. Rita de Cássia Nogueira, de Rita Ribeiro, de seu marido,

Capitão Gabriel Porphirio Villela, e de INÁCIO RIBEIRO, tornou-se possível à edificação do arraial, vila e depois município de Santa Rita do Passa Quatro.
Nesse passo, vamos dar a palavra a um outro parente, nosso saudoso tio VICTOR RIBEIRO, que bem “historía” a participação dos Ribeiro do Valle na fundação.
“...do simples ato dessa gente, deslocando-se das longínquas paragens mineiras para os sertões de São Paulo, em busca da terra dadivosa onde pudesse, dando expansão à sua atividade, realizar as suas falgueiras aspirações, pode-se aferir da  sua pugnacidade, do seu espírito de luta.
“E assim foi que, transportando-se para a terra da promissão, que deveria servir de campo para o desenvolvimento de suas energias o berço de seus filhos, trataram de edificar suas moradas nas orlas dos campos, aproveitando-se das pastagens naturais destes para o desenvolvimento das criações de gado bovino, de animais cavalares, porcos e da indispensável ovelha, e de abrir nas matas clareiras, onde, ao lado do café, plantavam de tudo: a mandioca que lhes fornecia a farinha e o polvilho; a cana de açúcar, a mamona para o azeite dos indispensáveis candeeiros, o fumo, o algodão e tudo mais. Pois, naqueles bons tempos, os agricultores procuravam abastecer a si próprios, não faltando os tecidos de lã e de algodão e tudo mais, que eram fiados e tecidos pelas próprias donas de casa. Católicos por tradição, não demoraram a edificar o templo para a prática de sua religião e, em 1862, tendo INÁCIO RIBEIRO DO VALLE e seus filhos CARLOS RIBEIRO DA FONSECA e FRANCISCO DEOCLECIANO RIBEIRO, e seu
primo-irmão ANTÔNIO MANUEL DA PALMA e outros habitantes da zona, trataram de construir, em terrenos doados por INÁCIO RIBEIRO DO VALLE e Da. RITA DE CÁSSIA NOGUEIRA, a sua capela, dando início ao arraial, vila e hoje cidade de Santa Rita. A provisão de visita, benção e celebração dos ofícios divinos na referida capela, datam de 22 de dezembro de 1862, segundo o “Livro Tombo” da Matriz, páginas 4 e 5. O nome Santa Rita foi lembrado, segundo uns, em homenagem a um dos doadores do patrimônio, Da. Rita e, segundo outros, evocando Santa Rita do Vintém, de onde eram oriundos os Ribeiro do Valle. Afeitos a política e compreendendo que só o bafejo dessa podia apressar o desenvolvimento da zona nova, arrigementavam-se sob a bandeira do “Partido Conservador”, em cujas fileiras já militavam na sua Província natal políticos tolerantes em geral, mas assencialmente intransigentes em certos princípio, e pugnazes, o adversário sempre os encontrava de lança em riste, prontos para o bom combate. Quando no poder, desprendidos de posições, só visavam o bem público. Chefiou o partido por muitos anos, ao lado de seus irmãos, INÁCIO RIBEIRO DO VALLE, o qual vindo a falecer em 1877, mais ou menos, a edilidade local houve por bem dar a uma das ruas da cidade o seu nome, Rua Inácio Ribeiro, em homenagem à sua memória e pelos relevantes serviços prestados à causa pública. Com o desaparecimento de INÁCIO RIBEIRO DO VALLE e de seus irmãos e cunhados, seus contemporâneos, chegou à vez de aparecer no cenário político local à geração nova, quase toda nascida e criada na prometedora terra, que constituía uma legião de cidadãos respeitáveis e bravos que em primeiro lugar haviam transposto as divisas de Minas para se localizarem no nosso abençoado São Paulo.
Dentre esses novos podemos citar: LUIZ, JOSÉ, PEDRO, ANTÔNIO, CARLOS e JOAQUIM  RIBEIRO  DO VALLE;  - JOSÉ  e  MANOEL VIEIRA  DE ANDRADE
PALMA e tantos outros, que destacavam-se pela sua inteligência e vivacidade de espírito; pela visão clara das coisas e ponderação de seus ato, notadamente FRANCISCO DEOCLECIANO RIBEIRO, o qual, sem que pretendesse, mas impelido pelas circunstâncias, viu-se guindado ao posto duplo de chefe: chefe da então já numerosa família, por cujos membros era procurado, ouvido e acatado, e chefe do

Partido Conservador; tendo como seus companheiros de diretório, seu primo-irmão e cunhado JOSÉ VIEIRA DE ANDRADE PALMA, e seus irmãos LUIZ e MANOEL RIBEIRO e outros.
Do que foi a atuação de CHICO RIBEIRO, como era conhecido, na direção do glorioso Partido Conservador e nos destinos da sua terra amada – Santa Rita –, contam os nossos velhos (que hoje tantos escasseiam) episódios interessantíssimos. As pugnas que se travaram, então em oposição ao Partido Liberal, do qual era um dos chefes Joaquim Victor de Souza Meirelles, e de quem foi a um tempo sócio e posteriormente compadre, e em todos os tempos amigo dedicado, foram memoráveis e fizeram época.
CHICO RIBEIRO, por esse tempo, com projeção também na política de São Simão, por onde havia se mudado muitos membros da tão numerosa família – chefe prestigioso e prestigiado pelos maiorais do Partido: Martínico e Antônio Prado(1), Arthur de Queiroz e outros, com quem mantinham relações de amizade – era um dos porta-vozes que punha o interior em contato com a Capital da Província, sendo por isso, frequentes suas visitas a esta.
Espírito justiceiro, essencialmente liberal, coração boníssimo e sempre acolhedor, posto que intrépido e dedicado, vivendo do povo e para o povo, granjeava assim o coração de quantos dele se cercavam.
Falecendo Chico Ribeiro, prematuramente, pois contava apenas 55 anos de idade, foi sua morte uma das mais sentidas de quantas já têm ocorrido em Santa Rita.
Seu enterro constituiu uma verdadeira apoteose, tomando parte o povo em massa. Cognominaram-no então, de “Pai da Pobreza.” A Câmara Municipal, de motu- próprio, mandou escrever no seu túmulo este epitáfio: “Aqui jaz o Benemérito de Santa Rita”, e deu o seu nome a uma das ruas da cidade.
Posteriormente (1916), por indicação do vereador Antônio Martins do Valle, foi colocado no Grupo Escolar seu retrato, por se reconhecer ter sido ele o maior propulsor da instrução em sua terra.
Com o desaparecimento de Chico Ribeiro (*1832 - +1887), em 27 de abril de 1887, e as mudanças de seus irmãos LUIZ RIBEIRO SALGADO, JOAQUIM CARLOS RIBEIRO, JOSÉ IGNÁCIO e de seu cunhado JOSÉ SALGADO RIBEIRO, e de muitos outros membros da numerosíssima família para o então “SERTÃO DE SÃO SEBASTIÃO DO TIJUCO PRETO”, hoje município de Pirajú, as margens do ribeiro Fartura, e as mudanças de outros membros destacados da mesma para São Simão, nos locais denominados “COQUEIROS” e “POSSE DE SÃO LOURENÇO”, hoje SANTA ROSA, seguido do 13 de Maio, que abalando nos seus alicerces o governo monárquico, contribuiu para a deflagração da República, assim como o afastamento da arena política, como era natural, dos contemporâneos sobreviventes de Chico Ribeiro, a política de Santa Rita, como em todo o território nacional, sofreu uma espécie de síncope ou entorpecimento.
Passados que foram os primeiros anos da República, após o golpe de estado desferido por Floriano Peixoto e consequente revolta do Almirante Custódio José de Melo, surgiu na arena política de Santa Rita a sua grande geração, já agora constituída de elementos oriundos do entrelaçamento das famílias VIEIRA PALMA(2), RIBEIRO DO VALLE e VIEIRA DA FONSECA, pois, como se constata no decurso desta narração, foram casadas três VIEIRA DE ANDRADE que foram ANA, THEODOSIA(3) e MARGARIDA VIEIRA DE ANDRADE(4) com três RIBEIROS DO VALLE que foram: FRANCISCO DEOCLECIANO RIBEIRO, MANUEL
JOAQUIM RIBEIRO e seu primo-irmão JOSÉ VIEIRA PALMA, cuja mãe era  VIEIRA DA FONSECA.

Desses consórcios felizes é que proveio a falange dos Santa-Ritenses, que, em partido de oposição, empolgou a política de sua terra a partir de 1888 até 1904.
Dentre essa plêiade de ardorosos políticos novos se destacavam: JOAQUIM CUSTÓDIO RIBEIRO, MANOEL VIEIRA DE ANDRADE PALMA, FRANCISCO
RIBEIRO PALMA, ANTONIO CUSTÓDIO PALMA(5) e outros, auxiliados pelos seus parentes afins, genros de Chico Ribeiro e José Palma: Dr. Cesário Ferreira de Brito Travassos, João Conrado(6), Paulo Villela e outros.
Santa Rita atravessava por essa época o seu período áureo. A sua lavoura achava-se em franca produção, e seu comércio era ativíssimo e o “Forum” movimentado por pugilo de advogados de renome: CELSO e ADALBERTO GARCIA DA LUZ, HORÁCIO DE SIQUEIRA, MATEUS CHAVES, RANGEL JUNIOR, e
outros, orçando sua população em torno de 25 mil almas (cf. “Autobiografia e Outros Escritos”, Edição do Autor – São Paulo, 1957).
Por ocasião da Revolta Armada, atrás mencionada, os Conservadores, liderados por Quincas Ribeiro, de outro, os “Liberais”, do Partido Republicano, os Meirelles, oriundos estes de Minas Gerais e aparentados com os Ribeiros, vez que a mãe de INÁCIO RIBEIRO, Da. Floriana Maria das Neves, era, como os Meirelles, da Família GARCIA DUARTE, da Ilha Fayal e estabelecidos no Brasil, na lengendária AIURUÓCA.
Os Ribeiros, em número reduzido, foram obrigados a deixar precipitadamente Santa Rita, refugiando-se em São Simão. Os Meirelles, então, tomaram conta da cidade, bem como apodeirando-se de algumas mulheres e crianças Ribeiros, que ficaram para trás. Fazendo pressão, os Meirelles mandaram emissários a São Simão, com ameaças visando à integridade dos Ribeiros que se deixaram ficar em Santa Rita. Nessa ocasião, JOAQUIM CUSTÓDIO RIBEIRO, o tio Quincas, mandou o emissário dizer ao Chefe dos Meirelles que eles fizessem o que bem entendessem, mas que eles – Ribeiros – voltariam e nesse dia, ainda aqueles que tivessem ousado tocar num fio de cabelo dos pobres reféns. Dizem os antigos que foi tal a forma de entonação dada a essas palavras por tio Quincas e de tal modo o informante as transmitiu aos Liberais que estes, apavorados, soltaram imediatamente as senhoras e crianças e mandaram-nas para São Simão. Mais tarde, vencidos os Monarquistas definitivamente, com a morte do Almirante SALDANHA DA GAMA, os Ribeiros e Meirelles se reconciliaram, através de casamentos, como era usança na época: LINA CÂNDIDA RIBEIRO, filha de Chico Ribeiro e Ana Cândida Vieira, casou-se com o Coronel SEVERINO OCTÁVIO DE SOUZA MEIRELLES e JOAQUINA CÂNDIDA RIBEIRO, filha de Manoel Joaquim Ribeiro e Margarida Vieira, casou-se com MELCHÍADES DE SOUZA MEIRELLES, inaugurando uma nova geração de homens destemidos, inteligentes e adiantados e mulheres formosas e dignas das tradições de Família RIBEIRO DO VALLE(7).
Mais tarde, VICTOR RIBEIRO, já citado nestas recordações, casou-se com MARIA JOSÉ DE SOUZA MEIRELLES, irmã do Coronel Severino, solidificando ainda mais a união dessas duas famílias.
Tiveram os Ribeiros do Valle, ainda, ativa participação na política santa-ritense, destacando-se o já citado Victor Ribeiro, que exerceu uma das mais profícuas administrações que Santa Rita do Passa Quatro já teve, exercendo elevados cargos públicos de 1922 a 1925. No final dos anos 50 ALCIRO e ALCIDES RIBEIRO MEIRELLES, continuaram, em Partido de oposição. A pugnar pelo progresso de nossa amada terra. Infelizmente, nos anos que se seguiram, a família, mercê do inexorável progresso, rumou para outras plagas, mas, principalmente para a Capital do Estado, onde destacaram-se e fizeram fortuna. Com isso, os Meirelles mais e mais destacaram, com justo reconhecimento dos munícipes, aliás.

Hoje, os destinos de Santa Rita são dirigidos pelos esforçados trabalhadores italianos que acorreram à cidade no início deste século (**), mas, neste ano de 1990, temos o prazer de consignar a presença de alguns descendentes de INÁCIO RIBEIRO DO VALLE em terras de Santa Rita e passo adiante a nomeá-los: MARIA BEATRIZ RIBEIRO CISCATO, MARIA LYGIA CONRADO RIBEIRO, JOSÉ FAUSTO e HELOISA RIBEIRO, MARIA CECILIA RIBEIRO VELLOSO, PAULO HENRIQUE DA ROCHA CORRÊA, ZILAH PALMA MEIRELLES, ILZA RIBEIRO MEIRELLES
e CELINA AZEVEDO TIBIRIÇÁ, entre outros.
É nos grato, outrossim, relacionar mais um entrelaçamento de três RIBEIROS DO VALLE com três BRANT DA SILVA CARVALHO, outra importante família de fazendeiros santa-ritenses, ali estabelecidos desde 1889, na Fazenda Taquaral, e que são: MARIA INÊS CEDEÑO DE BARROS, MARIA HELENA e MARIA MARTHA
ARRUDA DE SOUZA LIMA, casadas, respectivamente, com PAULO BRANT DA SILVA CARVALHO, FERNANDO BRANT DA SILVA CARVALHO e EDUARDO
BRANT DA SILVA CARVALHO. Maria Inês é filha Antônio Ubirajara Ribeiro de Barros, trineto de INÁCIO RIBEIRO DO VALLE. Maria Martha e Maria Helena são netas de Maria Francisca Ribeiro do Valle, dos Ribeiro do Valle de Guaxupé.
Paulo, Fernando e Eduardo, os primeiros engenheiros civis, são netos do Dr. ZÉCA CARVALHO (8) e de Da. LUIZA BRANTH DE CARVALHO, filha do Dr.
José Augusto Brant de Bulhões Carvalho e de Da. Anna de Sampaio, neta paterna do Dr. José Pereira Bulhões Carvalho e de Da. Anna Sampaio, neta paterna de Dr. José Pereira de Bulhões Carvalho e de Da. Augusta Maria Caldeira Brant, filha do 2.º Visconde de Barbacena, e neta do MARQUES DE BARBACENA, sobre quem assim  se manifestou o historiador Alberto Rangel.
A figura histórica de Caldeira Brant merece o toque impressivo de um velho gravador e artista de águas fortes. Introduziu no Brasil duas variedades de cana, a vacina, a moagem e maquinismos de fabrico de armas. O seu talento de FASHIONABLE recebeu todas as consagrações e alguns embates de importância. A cultura europeia havia refinado um capaz, diluído nas tricas bancárias, militares e políticos em que se nasceu à vontade, bamboleando-se, escorregando e dando saltos. Na sociedade espessa de enfados e revoltas do primeiro reinado, ele foi todavia um representante festejado da cultura, que não se compreendia bem, mas se estimava muito. (cf. “D. Pedro I e a Marquesa de Santos”.)
Temos assim, unidas duas estirpes bem distintas de brasileiros. De um lado, os RIBEIRO DO VALLE, sertanistas da brasileiríssima TERESA DE MORAES, dentre cujos antepassados vamos encontrar JOÃO RAMALHO e aquela a quem ele chamava sua “criada”, a índia ISABEL DIAS. Vergôntea rija, de gente simples, mas de caráter nobre e generoso, assim descrita pelo grande historiador Dr. Afonso D’Escragnole Taunay, em carta ao Conde Ribeiro do Valle.
O primo tem razão. Entre os nossos numerosíssimos parentes comuns consta-se uma maioria enorme de pessoas que sempre souberam honrar o bom nome de seus antepassados e a rigidez de seus princípios. Uns na prosperidade outros na labuta de uma vida obscura e às vezes mui trabalhadora mas em geral todos homens de bem. (cf. José Ribeiro do Valle, “E Eles cresceram e se multiplicaram” – Imprensa Metodista. São Paulo, 1972, página 58 – Carta do Dr. Taunay, de 09 de janeiro de 1929).
De outro lado, uma família de genuínos fidalgos, nobres de raça e nobres, também, pelos dotes de honradez, que constituiu a verdadeira nobreza. O fidalgo mineiro CALDEIRA BLANT, descendente de um príncipe, o Duque de Brabant,  (donde o nome Blant) e da mais velha e pureza nobreza portuguesa e espanhola (por parte de sua mãe, Anna Francisca de Oliveira e Horta, por sua vez descendente de Pedro

D’Horta, da casa dos Condes de Horta, em Aragão. Passou-se para Portugal em 1400. Teve honrosos lugares no tempo de AfonsoV).
Unem-se, dessarte, em SANTA RITA DO PASSA QUATRO, os descendentes de sertanistas, corajosos batalhadores, “enfrentadores” de bandidos no aspérrimo Sertão de Casa Branca, e os fidalgos às voltas com as tricas palacianas, cujos nomes são invocados juntamente com os dos Bragança e Bourbon e com – no dizer saboroso de Paulo Setúbal – com a espirituosíssima Amélia de Beauharnais, princesa de Louchtenberg, neta da “creolle” Josephine Tasher de la Pagérie, que se notabilizou com o corso Bonaparte.
Enfim, verdadeiro melting pot, imagem do Brasil, que temos a esperança de vir brilhar e fazer feliz nossa querida terra. A esta novíssima geração, que ainda está em brinquedo de criança, depositamos nossos melhores anelos e, para finalizar esta nossa despretenciosa evocação, consignamo-lhe os nossos: ANDRÉ, CRISTINA e SÍLVIA SOUZA LIMA CARVALHO, PEDRO e LUÍS SOUZA LIMA DA SILVA CARVALHO, JULIANA, ALEXANDRE e PAULO HENRIQUE BARROS BRANT CARVALHO.
Só o Espírito, se ele ferve sob a argila, pode criar o homem.” disse certa vez o Conde Antoine de Saint-Exupery (cf. “Terra dos Homens’. Livraria José Olympio- Ed. Rio). Que este espírito, animado pelos nobres exemplos dos RIBEIRO DO VALLE, inspire estas crianças no caminho do bem e que, realizando sera prosperidade pessoal, busquem a felicidade de nossa terra.

Ribeirão Preto, julho de 1990.

JOSÉ FERNANDO CEDEÑO DE BARROS
Sócio efetivo do Instituto Genealógico Brasileiro. Mestrado em Direito Processual Tributário da
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Minhas observações:
(*) Sentido figurado?
(**) Os italianos começaram a fixar-se em Santa Rita ainda em 1887. Em 1900 alguns já eram proprietários de terras, graças a sua força de trabalho.

(1)   Conselheiro Antônio da Silva Prado, um dos fundadores da Vidraria Santa Marina, foi pioneiro na introdução de colonos italianos no Brasil para São Paulo, trazendo operários do Reino de Sabóia. É bisavô de Dona Veridiana da Silva Prado, atual proprietária de Cristais Prado Ltda., da qual tive a honra de ser advogado no ano de 1989;

(2)   A família VIEIRA DE ANDRADE origina–se do casal Capitão MANOEL CUSTÓDIO VIEIRA, de Aiuruóca e de UMBELINA HONÓRIA DE ANDRADE DINIZ JUNQUEIRA (*1822 +1855), da Franca;

(3)   THEODÓSIA UMBELINA VIEIRA DE ANDRADE PALMA foi avó do grande escritor e Diretor da Revista dos Tribunais Dr. NELSON PALMA TRAVASSOS e sogra de Dr. João Rodrigues Guião, Prefeito de Ribeirão Preto e abastado cafeicultor na região;

(4)   Trisavó do autor destas linhas (Margarida Umbelina Vieira, Margarida Umbelina Ribeiro, Margarida Umbelina Vieira de Andrade e Margarida Junqueira Vieira, são as variantes com que se assinava. No registro paroquial do casamento de sua filha Maria Umbelina, consta “Marianna Umbelina Vieira”, pelo que acreditamos deva prevalecer a primeira fórmula);

(5)   A família mantinha, em Santa Rita do Passa Quatro, um jornal monarquista luxuosamente impresso, que se manteve até 1907 e denominava-se “ALBUM IMPERIAL”, de que existem exemplares na seção de raridades da Biblioteca Mario de Andrade, em São Paulo;

(6)   João Conrado foi avô do Dr. João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, idealizador e proprietário da famosa fábrica de veículos “GURGEL”;

(7)   Joaquina é mãe de Maria do Carmo Ribeiro Meirelles, mulher do insigne processualista Desembargador José Frederico Marques e avó de Yara Sandoval Meirelles, esposa do diplomata Carlos Alberto Pimentel, atual cônsul do Brasil em Hon-Kong, ex-cônsul geral do Brasil em N. York e Chefe do Cerimonial do Palácio Bandeirantes no Governo Montoro;

(8)   O Dr. Zéca Carvalho é filho do Coronel Bento José de Carvalho e de Cândida de Aguiar Melchert e pertence à Casa dos Andradas por sua bisavó, D. Ana Marcelina, irmã do Patriarca José Bonifácio;

(9)   Consignamos, aqui, nossos especiais agradecimentos pelas informações prestadas, para que fosse possível a elaboração deste artigo ao Dr. José Ribeiro do Valle, D. Maria Stella Brant da Silva Carvalho e à memória de
D. Angelina Mendes Ribeiro e Dr. Eduardo Lousada Rocha.

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